Encontro Lixo Zero: cooperativas de SP falam como estão enfrentando pandemia

29/05/2020

Imagem - Cooperados debatem sobre os desafios do dia a dia durante o isolamento social em roda de conversa virtual. Foto: Atelier de Imagem e Comunicação

Cooperados debatem sobre os desafios do dia a dia durante o isolamento social em roda de conversa virtual. Foto: Atelier de Imagem e Comunicação

O isolamento social tem sido um desafio em muitos sentidos, principalmente para os setores que não podem parar suas atividades totalmente por questões econômicas. É o caso de algumas cooperativas de reciclagem da cidade de São Paulo.

O Encontro Lixo Zero deste ano, em sua edição virtual, reuniu esses profissionais para uma roda de conversa para tratar sobre a realidade dos cooperados durante a pandemia.  A iniciativa faz parte de um evento do Instituto Lixo Zero que acontece em várias cidades do país. Em São Paulo, a ação ocorre desde 2016 e é organizada pela empresa ambiental Casa Causa.

“Em tempos normais, éramos uma cooperativa de centenas de pessoas. Hoje, estamos trabalhando aproximadamente com 20 funcionários. Não podemos parar totalmente, pois dependemos da renda gerada pela venda dos resíduos”, desabafou Tereza Montenegro, da Cooper Viva Bem, na zona Norte da capital.

Antes da pandemia, a Cooper Viva Bem possuía vários centros de coletas espalhados pela cidade operando com funcionários nos locais. Sua operação recolhia, inclusive, o isopor, material muito pouco reaproveitado no país por sua difícil reciclagem. “Tínhamos uma infraestrutura montada até mesmo dentro das Casas Bahia para coletar esse item, mas paramos, pois a maioria dos nossos funcionários são do grupo de risco”.

A Coopercaps, cooperativa presidida por Telines Basílio (mais conhecido como Carioca), também passa pela mesma situação.

“A maioria dos nossos profissionais faz parte do grupo de risco e está em casa, mas também não podemos parar”.

A cooperativa é uma das 25 habilitadas pela Prefeitura de São Paulo e seus cooperados atuam nas duas Centrais Mecanizadas de Triagem que atendem a capital. Lá, máquinas automatizadas de reciclagem separam os resíduos por tipo, cor e tamanho. O papel dos cooperados é o de realizar uma seleção manual dos resíduos para garantir a inspeção e qualidade feita pela separação automática.

Em virtude da pandemia, alguns funcionários que atuam neste setor foram afastados, enquanto uma pequena parte permaneceu para continuar inspecionando os materiais apenas de maneira visual. As tecnologias ficam na Loga e na Ecourbis, empresas que fazem a coleta na capital paulista.

Habilitação das cooperativas

Desde que aconteceu a suspensão nas atividades das cooperativas, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), investiu 5,7 milhões de reais para auxiliar os catadores. A iniciativa ajuda cerca de 900 famílias associadas às cooperativas habilitadas pelo órgão municipal.

Cada família recebe 1,2 mil reais mensalmente, durante três meses. Além das cooperativas habilitadas, 1.400 catadores autônomos ganham o mesmo valor, também pelo mesmo período. No caso deles, o auxílio será dividido da seguinte forma: 600 reais pagos pela Prefeitura e outros 600 fornecidos pelo governo federal.

Por conta disso, muito se discutiu sobre a importância de tornar uma cooperativa habilitada pela Prefeitura de São Paulo para receber apoio e benefícios. Duas vezes por ano, o órgão municipal realiza chamadas públicas para dar entrada na habilitação dessas infraestruturas.

O cooperado Telines Basílio aproveitou para informar aos participantes que a Amlurb mantém um Centro de Apoio às Cooperativas (CAC) para ajudar os profissionais a conseguirem os documentos necessários para se tornarem habilitados pela Prefeitura.

Profissionalização

“As cooperativas que não se regularizarem e não começarem a se olhar como um grande centro de negócio poderão perder espaço no mercado”, analisou a advogada convidada para o debate, Oriana Rey, da empresa ambiental Visões da Terra, que trabalha dando suporte às cooperativas no país.

Oriana afirmou que a pandemia mostrou um cenário do que se pode melhorar futuramente nas cooperativas. Segundo a advogada, as infraestruturas devem continuar valorizando o lado social que elas proporcionam aos colaboradores, mas também devem começar a se enxergar como uma empresa muito rentável e fundamental para o mercado. “Elas precisam aprender a se empoderarem e se reconhecerem como um agente importantíssimo no funcionamento da sociedade”, concluiu.

Texto produzido em 29/05/2020

 

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