Papel

Papéis diversos. Foto: RHIMAGE/shutterstock.com

História e reciclagem de papel: entenda o processo e como fazer

08/05/2018

Imagem - Restos de papéis. Foto: pokku/shutterstock.com

Restos de papéis. Foto: pokku/shutterstock.com

A reciclagem de papel no Brasil pode impulsionar a economia e ampliar a geração de renda e empregos. Além de impactar diretamente o meio ambiente, ajudando na proteção da natureza, o setor tem boas possibilidades de crescimento. No entanto, antes de abordar a importância da reciclagem desse material, partiremos da história do papel.


A história antes do processo de reciclagem

Você sabia? A história do papel atravessa os continentes e o tempo. O ano é de 105, isso mesmo, você não leu errado. O criador foi o chinês Ts’Ailun, um nome pouco popular no Brasil, apesar do impacto que a invenção provocou na época. Os registros chineses mencionam que ele era um funcionário da corte imperial e apresentou o primeiro papel para o Imperador Ho Ti, durante a chamada dinastia Han, e que recebeu títulos aristocráticos pelo invento.

Os primeiros papéis foram produzidos utilizando a desintegração de fibras de diversos materiais e logo tornou-se produto de importação chinesa. Mas, durante muito tempo, segundo os registros históricos, a técnica de produção do papel ficou em segredo e alguns fabricantes chineses foram capturados por árabes e forçados a ensinar essas técnicas de produção.

Processo de fabricação de papel. Foto: goldenporshe/shutterstock.com

A indústria do papel envolve a derrubada de árvores, a produção em larga escala no plantio de monocultura e resíduos gerados durante todo o processo. A reciclagem nessa área é, assim, de extrema importância para a preservação do meio ambiente.

HISTÓRIA NO BRASIL

Foi em 1.852 que a primeira fábrica se instalou, mas somente em 1.956 ocorreu investimento governamental significativo no setor. O aporte de recursos de uma empresa norueguesa no Rio Grande do Sul, em 1.968, iniciou o processo de potencialidade do Brasil na produção em larga escala de papel.

A partir da década de 70, com incentivos do governo para a produção de papel para exportação, ocorreu crescimento significativo para o setor consolidado já na década seguinte.

DADOS DO SETOR

O mercado de papel e celulose brasileiro tem uma grande importância na economia e é responsável por aproximadamente 1% do PIB do país.

Estima-se que o Brasil tenha produzido, em 2017, 10,5 milhões de toneladas de papel. O consumo anual é de aproximadamente 6 milhões de toneladas.

No ano passado, as exportações de papel chegaram a US$ 1,91 bilhão.

PRODUÇÃO

O papel é praticamente fabricado com fibras de celulose extraídos de árvores. As mais utilizadas são:

  • Pinheiros: com fibras mais longas, são mais resistentes e oferecem baixo custo na produção
  • Eucaliptos: crescem em menor tempo, otimizando também o tempo de produção do papel

A qualidade do papel é medida em fibras de celulose, ou seja, independente do processo, as fibras longas possibilitam maior teor de celulose. Quanto menor as fibras, menor a qualidade do papel.

No Brasil, apenas 37% do papel produzido vai para a reciclagem, sendo que 80% é destinado para a confecção de embalagens, 18% para papéis sanitários e somente 2% para impressão.

Para cada tonelada de papel, são necessários:

  • 2 toneladas de madeira;

  • 15 árvores;

  • de 44 a 100 mil litros de água;

  • de 5 a 7,6 mil KW de energia

Cada tonelada de papel gera (volume de lixo):

  • 18 kg de poluentes orgânicos descartados nos efluentes;

  • 88 kg de resíduos sólidos (de difícil degradação)

Por que reciclar papel?

No processo de reciclagem, o volume de água utilizado cai para 2,5 mil Kw. Além de reduzir o consumo de energia, a emissão de poluentes e o uso de água, a reciclagem diminui a porcentagem de papel descartado como resíduo sólido.

 

Imagem - Processo de fabricação de papel. Foto: Veronica Popova/shutterstock.com

Processo de fabricação de papel. Foto: Veronica Popova/shutterstock.com

Como é feita a reciclagem de papéis coletados em centros urbanos?

Papéis coletados, normalmente, estão misturados com outras substâncias – na impressão de logotipos, como adesivos. Na primeira etapa do processo de reciclagem de papel, o material coletado é triturado e forma uma espécie de pasta de celulose. Assim, a pasta é peneirada com o objetivo de retirar todos as impurezas.

A retirada de componentes da pasta da celulose é realizada com a inserção de outros compostos químicos, como água e soda cáustica. Os refinadores utilizados fazem o processamento da pasta para melhorar a ligação entre as fibras de celulose, realizando o branqueamento do material. Depois, a pasta segue para as máquinas produtoras de papel.

A qualidade da reciclagem depende do processo aplicado. A contaminação com outros materiais, como ceras, plásticos, tintas, metais, vidros, óleos e outros inúmeros componentes, não pode ocorrer. Para isso, a subdivisão entre papel reciclável e papel não reciclável é aplicada.

A reciclagem de papel contribui diretamente para a preservação dos recursos naturais (matéria-prima, energia e água), redução da poluição e da geração de resíduos urbanos sólidos. No entanto, mesmo com tantos benefícios para o meio ambiente, a indústria do papel aplica poucas práticas para a diminuição de impactos nocivos para a natureza. Mas vale ressaltar que a utilização racional do papel e o consumo sustentável são imprescindíveis para a coleta seletiva efetiva.


A reciclagem de papel e os recursos naturais do meio ambiente

A consciência na utilização de recursos naturais de forma mais responsável é uma prática que deve ser aplicada em sociedade. Podemos ativar esta cidadania de diversas maneiras, e uma delas é demonstrando em números o impacto causado ao meio ambiente. Na fabricação tradicional de uma tonelada de papel, é necessário o uso de 100 mil litros de água. Já os reciclados precisam de somente dois mil litros de água por tonelada fabricada. Os números são impressionantes em relação ao consumo de energia, que é algo aproximado entre 50% a 80% de economia.

É uma lógica simples: quanto mais papel é reciclado, menos madeira é usada para a produção de papel, ou seja, um número menor de árvores é derrubada. Tudo é um ciclo. O papel é reciclado para diferentes objetivos e isso também altera a qualidade para cada papel reciclado. Esta qualidade está relacionada com o comprimento das fibras de celulose, como abordamos anteriormente. Desta forma, quanto mais vezes o papel for reciclado, mais curtas serão suas fibras. Estima-se que o papel pode ser reciclado até seis vezes.

Na Alemanha, por exemplo, o papel reciclado é misturado com vários outros tipos de papéis, mesmo os de fabricação tradicional. Existem tecnologias para monitorar e equiparar a qualidade do papel com a do papel tradicional. Desta maneira, o uso do reciclado é aplicado em quase todos os setores de consumo e demanda. Com toda a certeza, boas práticas a serem seguidas no Brasil.

Imagem - Tiras de papel. Foto: Daniel Fung/shutterstock.com

Tiras de papel. Foto: Daniel Fung/shutterstock.com

Reciclagem de papel e a geração de renda

Em 2015, a publicitária e cientista Cláudia Pires e o economista Clóvis Santana fundaram a SO+MA, uma empresa que atua na periferia da cidade de São Paulo e tem como objetivo gerar renda e estimular novos hábitos, além de criar oportunidades de negócios para as comunidades. Assim, a entrega de reciclados pelos moradores é utilizada como moeda de troca para bens e serviços.

A instituição criou um programa de fidelidade que contabiliza pontos e recompensas. Caso acumule pontos na entrega de resíduos para reciclagem, estes podem ser trocados por bens e até mesmo por descontos nos comércios locais. O projeto foi lançado no bairro Capão Redondo, periferia da capital, que até o final de 2017 tinha 266 famílias cadastradas e já recebeu mais de 50 toneladas de reciclados. Desta maneira, em média, as famílias conseguem receber R$ 250,00 mensais com as trocas.


Papel de garrafa PET

Sim, é possível produzir papel a partir de outros materiais recicláveis, como o PET (polímero termoplástico). Ele foi criado em 2015 por empresários mexicanos. A melhor parte é que ele é biodegradável e não necessita de água nem componentes químicos em sua produção. Além disso, pode substituir o papel tradicional tranquilamente.

"Nós fabricamos papel ecológico criado com garrafas PET, carbonato de cálcio e pedra. Nós não usamos água ou produtos químicos, como o cloro. O papel mineral é mais forte do que o padrão – você não pode quebrá-lo com as mãos – é impermeável, tem a qualidade de ser fotodegradável e só absorve a quantidade necessária de tinta ao ser impresso", disse Ever Adrian Nava, cofundador da empresa Cronology, ao site Investigación y Desarollo.

Antes de transformar o PET em papel, primeiro é preciso converter as garrafas de plástico em grânulos de plástico, esmagando-as com vários pedaços de carbono de cálcio, para criar uma mistura sujeita a um processo de fundição a mais de 100 graus celsius, para formar grandes folhas de papel, que são enroladas e formam folhas menores.

O principal objetivo do papel de PET é evitar o desmatamento e reduzir os custos de produção, pois o país produz, atualmente, 700 mil toneladas de papel por ano para atender às necessidades do mercado local. A produção de uma tonelada de papel economiza até 20 árvores e 56 mil litros de água. Além disso, com 235 kg de grânulos de PET é possível criar uma tonelada do papel mineral.


Papel de plástico

Além do papel feito de garrafa Pet, existe o papel plástico feito a partir da reciclagem de embalagens de biscoito, picolé, salgadinhos, barrinhas de cereal e sacolas plásticas. Batizado de Vitopaper, é produzido no Brasil pela empresa Vitopel e foi desenvolvido em parceria com a universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo.

O Vitopaper não fica amarelo, não molha e não rasga facilmente. Ele se assemelha com o papel couchê e pode ser utilizado para a impressão de diversos materiais, inclusive livros e cadernos. A cada tonelada de Vitopaper produzida, estima-se que 750kg de plástico deixem de ir para o lixo.

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