Vidro

Garrafa de vidro quebrada. Foto: hsagencia/shutterstock.com

Reciclagem de vidro: aprenda como fazer

09/05/2018

Imagem - Garrafas de vidro variadas. Foto: Josep Curto/shutterstock.com

Garrafas de vidro variadas. Foto: Josep Curto/shutterstock.com

O vidro, assim como o plástico e o papel, é um material bastante presente na rotina das pessoas. Provavelmente você usa garrafas de vidro (cerveja, vinho, sucos) ou até mesmo potes feitos do material para armazenar os mais diversos produtos (café, biscoitos, açúcar etc.). Mas, você faz o descarte correto destes recipientes? Caso a resposta seja positiva, você contribui com a reciclagem de vidro e, claro, com o meio ambiente.
 

Um pouco de história

Antes de falarmos sobre a reciclagem de vidro, uma pergunta: você já parou para se perguntar como ele surgiu? Alguns acreditam que foram os egípcios, já que existem objetos feitos do material que datam de mais de 4.500 anos. No começo, apenas blocos maciços eram fabricados mas, aproximadamente em 2.000 a.C., pequenas vasilhas começaram a ser moldadas com o auxílio de fôrmas de barro.

Passados 1.500 anos desde então, os egípcios começaram a produzir vidros para janelas. Para isso, eles colocavam a massa sobre uma mesa de bordas altas – para que a mistura não escorresse – e a alisavam com um rolo.

Foram os babilônios, porém, que impulsionaram a produção do material ao inventarem o ferro de assoprar no século II a.C. O instrumento permite moldar o vidro na forma desejada.

Os mosaicos de vidro – que nada mais são do que pequenos pedaços do material de cores diferentes cortados e colados juntos –, foi inventado na Roma antiga, e elevou a fabricação de vidro à categoria artística. Os mosaicos em vitrais de igrejas, por exemplo, são famosos ao redor do mundo todo.

Como e do que é feito o vidro

O vidro é composto de materiais naturais: areia, calcário, barrilha (carbonato de sódio), alumina (óxido de alumínio) e corantes ou descorantes. Essa mistura é levada para um forno industrial que atinge altas temperaturas (até 1.500ºC).

Depois de algumas horas no forno, a mistura derrete e vira um material quase totalmente líquido, meio grosso e de cor âmbar, lembrando o mel. Então, segue para um molde inicial, que dá o primeiro contorno do objeto que será fabricado com a mistura.

Uma máquina injeta ar através de um canudo, o que molda a “gosma” até que ela ganhe sua forma final, como a de uma garrafa de vidro, por exemplo.

Ao fim desta última etapa, o material já resfriou bastante e começa a enrijecer, podendo ser retirado do molde. Então, ele é deixado para esfriar ainda mais e, depois disso, está pronto para ser comercializado.

Como já explicamos em nosso site, o vidro é um material 100% reciclável e, assim como o alumínio, pode ser reutilizado infinitas vezes. Uma das grandes vantagens desse processo é que o vidro reciclado possui as mesmas características e a mesma qualidade de um vidro novo, feito com matérias-primas originais.

Tipos de vidro

Nem todo vidro é igual, existindo algumas diferenças em suas composições. Veja alguns deles – e para que são destinados – a seguir:

  • Vidro para embalagens: garrafas, potes, frascos e outras vasilhas fabricados em vidro comum nas cores branca (transparente), âmbar (garrafas de cerveja) e verde (garrafas de cerveja e outros);
  • Vidro plano: vidros de janelas e automóveis, fogões, geladeiras, micro-ondas, espelhos etc.;
  • Vidros domésticos: tigelas, travessas, copos, pratos, panelas e produtos domésticos;
  • Fibras de vidro: mantas, tecidos, fios e demais produtos para a aplicação de reforço ou de isolamento;
  • Vidros técnicos: lâmpadas incandescentes ou fluorescentes, tubos de TV, vidros para laboratório, ampolas e garrafas térmicas, vidros oftálmicos e isoladores elétricos.
Imagem - Cacos de vidro. Foto: Nadia Abdullah/shutterstock.com

Cacos de vidro. Foto: Nadia Abdullah/shutterstock.com

No Brasil

De acordo com dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), nosso país produz, aproximadamente, 980 mil toneladas de embalagens de vidro a cada ano.

Deste montante, 45% da matéria-prima usada foi reciclada na forma de cacos.

O mercado mais interessado nos recipientes de vidros usados é o das vidrarias, que compram o material de catadores na forma de cacos ou recebem diretamente por meio de suas campanhas de reciclagem. Além de voltar ao ciclo de produção de embalagens, a sucata de vidro pode ser utilizada na composição de asfalto e pavimentação de vias, na construção de sistemas de drenagem contra enchentes e nas produções de espuma e fibra de vidro, bijuterias e até de tintas reflexivas (produzidas para refletir a luz, mesmo à noite).
 

Como reciclar vidro

O primeiro passo é separar os resíduos de vidro ainda em casa. Recolha garrafas, potes de vidro e demais objetos feitos com o material e os coloque em caixas de papelão ou sacos grossos, lembrando de etiquetá-los descrevendo o conteúdo.

Os cacos de vidro também podem e devem ser separados para a reciclagem. É preciso, porém, tomar mais cuidado para que a pessoa que irá manuseá-los não se machuque. Embrulhe-os em jornais, coloque-os em caixas de papelão ou sacos grossos e etiquete-os.

De acordo com o Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), é importante que os cacos não contenham pedaços de cristais, espelhos, lâmpadas e vidro plano (utilizado em automóveis e na construção civil).

Além disso, os cacos não devem estar misturados com terra, pedras, cerâmicas, louças, plástico em excesso ou metais (como tampas de cerveja e refrigerante). Isso porque estes componentes podem contaminar o material e gerar bolhas, alterar a cor da embalagem ou até diminuir a resistência dos objetos criados.

Veja, abaixo, o que você pode encaminhar para a reciclagem:

  • Garrafas de sucos, refrigerantes, cervejas e outros tipos de bebidas;
  • Potes de alimentos;
  • Cacos de vidros;
  • Frascos de remédios;
  • Frascos de perfumes;
  • Vidros planos e lisos;
  • Para-brisas;
  • Vidros de janelas;
  • Pratos, tigelas e copos

Onde reciclar vidro

A cidade de São Paulo dispõe de serviços de coleta seletiva tanto diretamente em residências quanto em postos de entrega.

Duas concessionárias de coleta domiciliar de resíduos da cidade prestam serviços para a Prefeitura: Loga e Ecourbis. Além disso, dezenas de cooperativas e associações de catadores estão habilitadas pela AMLURB.

As localidades que são atendidas pela entrega porta a porta estão disponíveis nos sites da Ecourbis http://www.ecourbis.com.br/ (que atende as regiões Leste e Sul da cidade de São Paulo) e da Loga http://www.loga.com.br/content.asp?CP=LOGA&cod=790 (Oeste, Norte e Centro).

Benefícios da reciclagem de vidro

A reciclagem de vidro é muito importante do ponto de vista sustentável. O material pode ficar no mesmo lugar muitos e muitos anos, já que seu tempo de decomposição é indeterminado – porém, estimado em aproximadamente um milhão de anos.

O processo de separação e reciclagem de vidro, então, colabora para que o material não vire entulho nos aterros sanitários nem na natureza – no solo, em rios, lagos e matas –, contribuindo muito com o meio ambiente.

Fora isso, a reciclagem economiza energia. Para se ter uma ideia, a reciclagem de apenas uma garrafa de vidro economiza energia suficiente para acender uma lâmpada de 100 watts por quatro horas – ou para alimentar uma televisão durante 20 minutos.

A reciclagem também conserva recursos naturais. Mais de uma tonelada deles são poupados a cada tonelada de vidro reciclado, incluindo 590 kg de areia, 185 kg de carbonato de sódio e 172 kg de pedra calcária.

A reciclagem de vidro também ajuda a economia na medida em que gera mão de obra e serviços terceirizados, tanto nas cooperativas de catadores quanto nas empresas recicladoras.

Imagem - Garrafas de vidro aglomeradas. Foto: noomcpk/shutterstock.com

Garrafas de vidro aglomeradas. Foto: noomcpk/shutterstock.com

Reciclagem com vidro

Antes de enviar seus potes, garrafas e outros materiais de vidro para a reciclagem, é interessante pensar em dar novos usos a eles. Como sempre reforçamos, é de extrema importância ambiental que as pessoas sigam sempre os “Cinco Erres da Sustentabilidade: Reciclar, Repensar, Recusar, Reduzir, Reutilizar”.

Além de reciclar, é preciso repensar nosso jeito de viver e agir em São Paulo; recusar produtos e serviços que não estejam comprometidos com o respeito ao meio ambiente; reduzir o volume de resíduos que cada um de nós geramos; reutilizar tudo que for possível para aumentar a vida útil dos produtos e tornar as coisas menos descartáveis.

Tags: matérias, vídeos
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