Reciclagem e desigualdade: os pontos cegos da COP 26

05/11/2021

Imagem - Criança coleta lixo. Foto: Tinnakorn jorruang / Shutterstock.com

Criança coleta lixo. Foto: Tinnakorn jorruang / Shutterstock.com

Quando os líderes mundiais chegaram a Glasgow, Terras Baixas ocidentais da Escócia, na segunda-feira (1) para a COP 26, alguns críticos disseram com razão que os planos da Conferência do Clima não davam muita atenção para questões ambientais fundamentais como a reciclagem e a desigualdade.

E de fato, os planos apresentados nos últimos dias foram predominantemente focados na transição para uma energia limpa e deixaram de lado todo o contexto da economia circular.

Em resumo, até agora, dezenas de países apresentaram estratégias que eles chamam de “ambiciosas” (mas que não convencem muita gente, não) para limitar o aquecimento global a 1,5 °C, a meta do Acordo de Paris.

Diretora de Programas da Circle Economy, Hatty Cooper é uma das insatisfeitas com a postura dos organizadores do evento.

“Precisamos com urgência de um modelo alternativo de produção e consumo. Precisamos que os consumidores mudem seu comportamento”, opinou Cooper.

Durante um dos painéis da COP, outra liderança insatisfeita, Panagiotis Fragkos, da equipe da E3-Modeling, foi enfático ao afirmar que "sustentabilidade ambiental e combate à desigualdade social precisam caminhar juntas".

“E um dos pontos cegos dos planos para combater as mudanças climáticas é que eles são omissos em relação à justiça social”, completou Patrick Schroeder, pesquisador do think tank Chatham House.

“Por exemplo, recicladores e catadores informais precisam ter melhores condições de trabalho para que uma economia de baixo desperdício funcione efetivamente. Muitas das questões sociais e políticas até agora foram completamente negligenciadas”, avaliou Schroeder.

Economia Circular

E se os produtos de hoje se tornassem os recursos de amanhã? Essa é a pergunta que a economia circular procura responder.

Imagine a lâmpada que oferece luz na sua casa: ela passa por um processo de produção, depois de consumo e, por fim, é descartada em um aterro sanitário, seguindo a lógica da economia linear.

A proposta desse novo modelo econômico é que essa lâmpada retorne ao seu produtor e que seja reaproveitada de alguma maneira, evitando assim a geração de resíduos e o impacto ambiental.

Em resumo, o objetivo da economia circular é gerar uma gestão mais eficiente dos recursos naturais, ou seja, manter produtos, componentes e materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor, dentro de um escopo econômico de desenvolvimento sustentável.

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