11 de Outubro de 2026,10h00
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Menos de 5% das empresas que comercializam ou importam produtos eletrônicos no Brasil participam dos sistemas coletivos de logística reversa, segundo levantamento da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree), divulgado nesta sexta-feira (9) pela Folha de S.Paulo.
De acordo com a entidade, apenas 192 das cerca de quatro mil empresas do setor participam desses sistemas, responsáveis pelo recebimento e encaminhamento de equipamentos descartados para a reciclagem.
Os números chamam a atenção para a baixa adesão empresarial aos programas coletivos de recolhimento de resíduos tecnológicos, embora a participação nesses modelos não seja a única forma de cumprir as exigências da legislação ambiental brasileira.
Prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e regulamentada pelo Decreto Federal nº 10.240/2020, a logística reversa determina que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes organizem sistemas para receber e dar destinação ambientalmente adequada aos equipamentos descartados pelos consumidores.
Na prática, isso significa que a responsabilidade pelo destino desses materiais deve ser compartilhada entre as empresas e a população, sem transferir os custos e as obrigações exclusivamente aos serviços públicos de limpeza urbana ou aos trabalhadores da reciclagem.
Celulares, computadores, televisores, eletrodomésticos e outros aparelhos que utilizam energia elétrica precisam de destinação específica, pois podem conter substâncias perigosas e componentes com valor comercial que podem retornar à cadeia produtiva.
Por esse motivo, esses resíduos nunca devem ser colocados no lixo comum nem misturados aos materiais destinados à coleta seletiva domiciliar.
Para fazer o descarte correto, os consumidores podem procurar pontos de entrega voluntária mantidos por fabricantes, comerciantes e entidades gestoras de logística reversa, como a Abree e a Green Eletron, que disponibilizam ferramentas de consulta por localização em seus sites.
A expansão dessa estrutura também pode abrir novas oportunidades de trabalho e renda para cooperativas capacitadas a atuar no setor, desde que tenham acesso a equipamentos adequados, formação profissional e condições de segurança para lidar com os diferentes componentes eletrônicos.
No entanto, para que a reciclagem desses materiais avance no Brasil, é necessário ampliar a participação das empresas, investir na estrutura de recebimento e tratamento dos resíduos e garantir que as responsabilidades estabelecidas pela legislação sejam efetivamente cumpridas.
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