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41% do lixo no Brasil vai parar onde não deveria

07 de Junho de 2019,11h00

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Disposição de resíduos sólidos em lixões. Foto: Hermes Rivera / Unsplash

Você sabe para onde vai o lixo que produz? De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 41% de todo o lixo produzido ano a ano no Brasil vai parar onde não deveria: rios, mares e lixões. Mesmo após a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em 2010, que dentre suas premissas determinou que os municípios deveriam colocar fim aos lixões até 2014, toneladas de resíduos ainda são despejadas a céu aberto em diversas cidades.

Isso faz com que o país ainda conviva com quase 3 mil lixões e aterros inadequados, sendo mais de 12,9 milhões de toneladas por ano despejadas em locais que geram grandes riscos para o meio ambiente e para a saúde da população. Portanto, para onde esse lixo deveria ser destinado?

Lixão, aterro controlado e aterro sanitário                    

Mais de 2.500 cidades do Brasil possuem lixões, considerada uma forma inadequada de disposição final dos resíduos. Chamado também de vazadouro a céu aberto, a descarga de material nesses locais é feita sem qualquer técnica ou medida de controle e tratamento. A disposição de resíduos sólidos em lixões é crime desde 1998, quando foi sancionada a Lei de Crimes Ambientais, principalmente por seu alto grau de poluição ao ambiente.

Também considerada uma forma incorreta de destinação dos resíduos, o aterro controlado possui um único cuidado: a cobertura do lixo com terra. Neste espaço, também não há qualquer sistema de coleta e drenagem de chorume, líquido poluente que atinge os lençóis freáticos, nem a captação e o controle da queima dos gases gerados. Existente em 875 cidades do Brasil, os aterros controlados também constam da PNRS, que exige sua erradicação.

Já o aterro sanitário é considerado a técnica adequada para disposição dos resíduos sólidos que busca minimizar os impactos na natureza. Sem causar danos à saúde pública e à segurança, é devidamente estruturado com sistemas de impermeabilização, coleta e drenagem do chorume, e captação e queima controlada dos gases do efeito estufa ali produzidos. Presente em 2.182 municípios, sua área de implementação exige características como: aceitação por parte da população, área de acordo com o zoneamento da região e longa vida útil.

A maior cidade do país

A cidade de São Paulo é a que mais gera resíduos, cerca de 20 mil toneladas por dia, sendo 12 mil domiciliares. Atualmente, o município utiliza três espaços para dispor os resíduos coletados, dois privados e um em regime de concessão, sendo eles respectivamente:

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Central de Tratamento de Resíduos Leste (CTL), administrado pela da EcoUrbis. Foto: Antonio Brasiliano

No entanto, a estimativa de vida útil desses espaços prevê volume disponível para a deposição de resíduos apenas até 2028, de acordo com dados da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb). O que significa que, em menos de 10 anos, a maior cidade do país não terá para onde enviar seu lixo.  “Temos que priorizar a redução do volume total destinado aos aterros sanitários por meio de ações de conscientização e da viabilidade de novas tecnologias de segregação, haja visto não termos novas áreas próximas para implementação de um novo aterro sanitário”, explica Eder Hara, gerente de Concessões e Permissões da Amlurb.

Alternativas

Devido aos dados alarmantes, iniciativas para dar destinação correta e aproveitar os resíduos se multiplicam. Na capital, o programa Feiras e Jardins Sustentáveis dá novo sentido aos restos de materiais orgânicos de feiras livres, como frutas, legumes e verduras. Criado pela Prefeitura, tem o objetivo de diminuir a quantidade de resíduos orgânicos despejados em aterros, oferecendo um tratamento ambientalmente adequado para esses materiais.

Por meio de um processo de compostagem, os resíduos são levados para os chamados Pátios de Compostagem, terrenos dedicados especialmente para o processo, e lá são tratados e transformados em um composto orgânico de qualidade, ideal para adubar terra de parques, hortas, praças e jardins.

Para Eder Hara, a conscientização por parte da população é também uma das saídas para a redução no volume total destinado aos aterros. “Não é só separar o lixo, mas também reutilizar as embalagens, tornando-as menos descartáveis, e repensar o consumo excessivo de produtos, comprando apenas o necessário”, defende.

 

Texto produzido em 07/06/2019

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