RECICLA ENTREVISTA: CAMILLE BORDON, ASSISTENTE SOCIAL ESPECIALISTA EM COOPERADOS

Cooperados no espaço de recreação da cooperativa Rainha da Reciclagem. Foto: Thiago Mucci

Cenário das cooperativas está longe do ideal, mas é muito promissor

10/07/2018

Imagem - Camille Bordon. Foto: Divulgação

Camille Bordon. Foto: Divulgação

Há 20 anos, um padre decidiu dar nova vida a um grupo de carroceiros que se reunia na praça Cornélia, na paróquia da Vila Romana, bairro da zona oeste de São Paulo. Para que tivesse mínimas condições de sustento e autonomia, o grupo foi organizado no que se tornou o embrião de uma das primeiras cooperativas de reciclagem da cidade – hoje conhecida como Recicla Butantã.

Era uma época de pioneiros, em que a reciclagem não havia entrado na ordem do dia. Com o tempo, o trabalho cresceu e tomou outras frentes. Mantém hoje quatro centros de acolhida (albergues) e cursos de formação profissional com o objetivo de que os moradores de rua e pessoas economicamente vulneráveis consigam encontrar um caminho e não mais dependam de ajuda assistencial.

Para chegar a este patamar, a missão precisava ser formalizada para além das fronteiras paroquiais. Inspirado na passagem bíblica em que Cristo ressuscita Lázaro, proclamando a arquetípica sentença “Levanta-te e anda”, o padre José Carlos de Freitas Spínola batizou a organização não-governamental com o nome de Reciclázaro – aglutinação de Lázaro com reciclagem.

Apesar de diversificação, que resultou no ano passado em mais de 77 mil atendimentos, a reciclagem ainda é o carro chefe entidade. Afinal, as cooperativas, que abrigam cerca de 600 trabalhadores, são consideradas uma das “portas de saída” para uma vida economicamente independente. A entidade foi a responsável pela formação de duas cooperativas que atuam em São Paulo. E presta assistência técnica na gestão de outras 18.

Ou seja, está presente em 20 das 24 das organizações que atuam na Capital em regime cooperado por meio de convênios com a Prefeitura. Trata-se de um parque de trabalho que processou, somente em 2017, 15.620 toneladas de resíduos, conforme relatório de atividades publicado pela ONG, que é financiada por parceiros privados e recursos públicos.

No campo da reciclagem, todo o trabalho é coordenado pela assistente social Camille Consuegra Bordon Carletti. Aos 44 anos, ela viveu os últimos dez ajudando os profissionais das cooperativas a escrever uma nova história, baseada em qualidade de gestão e segurança no trabalho.

A vivência fez de Camille uma especialista no universo dos cooperados. Se nas primeiras cooperativas havia um certo amadorismo e significativa prevalência de dependentes químicos e alcoolistas, o quadro hoje é composto por trabalhadores que, apesar de ainda não ganharem rios de dinheiro, já conseguem ter uma visão mais empresarial e uma capacidade de gestão bem melhor do que se observaria há uma década.

Camille falou sobre as cooperativas por cerca de uma hora com o Recicla Sampa. Disse estar otimista, apesar de alguns desafios a serem enfrentados pelos cooperados, como os preços obtidos no mercado e os salários, ainda baixos.

“Estamos longe do ideal, mas é um quadro muito melhor do que o de há dez anos”, diz a assistente social.

Camille diz se sentir motivada. O principal fator não é econômico. Mas a mudança de perfil dos cooperados. Ela diz: “Quando comecei, as pessoas cooperadas eram muito sofridas e se enxergavam excluídas. Hoje, entendem que são agentes de transformação, que o lixo é uma fonte de riqueza. E eles sabem que precisam ter formação. Caminhamos neste sentido, e precisamos continuar ainda mais, para empoderar estas pessoas. O cenário é promissor. ”

A seguir, a íntegra da entrevista.

Como a senhora começou neste ramo da reciclagem e cooperativismo?

Sou assistente social de formação e entrei na Reciclázaro há mais de dez anos para atuar no acompanhamento de um dos projetos que a entidade mantinha, que era a comunidade produtiva do Butantã, que trabalhava com material reciclável e estava se transformando em cooperativa de reciclagem. Eu auxiliei no acompanhamento desta mudança, que deu autonomia ao grupo, que hoje é a Recicla Butantã, e foi a primeira cooperativa que nós incubamos e de quem passamos a ser parceiros. Foi aí que a Reciclázaro entendeu em criar um programa específico para tratar a questão dos resíduos.

Mas a Reciclázaro começou sua vida de ONG com reciclagem, não?

Sim, a origem foi esta, há 20 anos. O padre José Carlos de Freitas Spínola, que hoje é o presidente da ONG, começou o trabalho articulando um grupo de carroceiros que estava na Praça Cornélia e implantou a coleta seletiva no bairro da Vila Romana, quando ainda nem se falava em reciclagem. O resíduo, então, está na gênese da entidade. A Recicla Butantã, que foi esta cooperativa que incubamos, foi esta mesma comunidade inicial, embora hoje a maioria dos membros iniciais já não faça mais parte do trabalho.

Fizemos uma entrevista com Gilberto de Oliveira Moura Silva, da Casa do Catador, em que ele diz que as cooperativas precisam ter um olhar empreendedor e que é preciso acabar com o “coitadismo” quando se lida com os catadores. Ele diz também que é preciso caminhar para uma independência do Poder Público. É possível esta independência ou ela ainda é necessária?

Não sei se é necessária. O Poder Público tem que reconhecer o trabalho, mas a relação deve ser de parceria. Concordo que você não pode ficar dependente do Poder Público para desenvolver o seu trabalho. Atualmente a Prefeitura é a principal fornecedora de material reciclável para as cooperativas.

Mas isso não é uma forma de dependência?

Não há como ser diferente. Os resíduos coletados devem ser separados e enviados às indústrias recicladoras e quem faz esse trabalho são as cooperativas de reciclagem, senão o material teria que ser aterrado.

Mas para quem vê de fora, como leigo, tem-se a impressão de que ainda muito da atividade depende de financiamento do município? Na média, pelo que pudemos observar, e me corrija se estiver errado, 70% do material das cooperativas são provenientes das empresas concessionárias, e os 30% vem de esforço próprio. Dá para sair desta equação?

Sim. Você está certo. Mas eu acho que dá para você trabalhar para que esta dependência vire uma parceria. Atualmente, a dependência vai além do material. A prefeitura mantém em algumas cooperativas o pagamento do aluguel do galpão e das contas de consumo e até pouco tempo disponibilizava os caminhões para a coleta porta-a-porta. Porém, eles foram suspensos porque houve um problema contratual. A gestão passada implantou, em parceria com as cooperativas, a coleta seletiva porta a porta, criando uma aproximação com a comunidade, pela qual puderam mostrar o trabalho e, com isso, aumentar a coleta seletiva, por meio da educação do munícipe. Com o problema contratual dos caminhões, as cooperativas tiveram que buscar alternativas para que seus rendimentos não caíssem e passaram a buscar novos negócios. Este problema acabou sendo positivo, por um certo aspecto, porque fez com que muitas cooperativas tivessem uma postura proativa, mas é importante ressaltar que a coleta porta-a-porta é vantajosa porque o material, com a população bem informada, já vem mais limpo, o que diminui o trabalho e aumenta o valor agregado dos produtos.

Mas voltando a questão da dependência...

Pois é. Uma coisa que achei incrível nesta gestão, e que representou um avanço, é que as cooperativas são vistas como empreendedoras e donas de um negócio. Não são mais vistas como coitadinhos. O que o Gilberto colocou está certíssimo. E é preciso ver isso dentro de um contexto histórico. Há dez, 15 anos, quando montaram as primeiras cooperativas, isso se deu por uma necessidade de parceria dos catadores com as empresas. As empresas quiseram apostar neste modelo e passaram a doar equipamentos, como prensas, balanças, entre outras coisas, para que os produtos tivessem maior valor agregado. Só que as empresas não podiam doar para pessoas físicas. Estes grupos então, sem o mínimo de informação ou formação, acabaram formando as cooperativas, mas não tinham conhecimento de gestão, de estatutos, de contabilidade, cooperativismo.

Imagem - Cooperativa Nova Esperança. Foto: Thiago Mucci

Cooperativa Nova Esperança. Foto: Thiago Mucci

Como este perfil das cooperativas e cooperados evoluiu de lá para cá?

Nossa experiência mostra que as pessoas naquela época estavam, em sua maioria, em situação de vulnerabilidade. Eles precisavam de dinheiro rápido para atender suas necessidades imediatas e encontraram no material reciclável a resposta. Hoje, você até tem pessoas vulneráveis nas cooperativas como em qualquer setor profissional. Atualmente as cooperativas são formadas por pessoas que entendem e querem cada vez mais entender de negócios. Dos cooperados aos presidentes de cooperativas, eles sabem que têm um papel social e ambiental. Sabem que têm que absorver aquelas pessoas que estão chegando e que estão numa situação mais precária e precisam de ajuda. Há este compromisso de responsabilidade e solidariedade. De amparo.

Muitos diretores de cooperativas me dizem que tentam trabalhar para a questão da requalificação profissional e pessoal dos cooperados.

É um ponto importante este. Veja, para você trabalhar com material reciclável, você não precisa ter formação. Depende apenas de agilidade manual, para fazer a separação. Agora, a partir do momento que eu enxergo a cooperativa como um negócio rentável preciso ter conhecimentos e qualificação profissional. E para isso eu, como cooperado, preciso mudar meu comportamento, minha postura, passar a fazer planos. E isso se deve muito ao trabalho dos técnicos que ‘invadiram’ as cooperativas.

Invasão dos técnicos, em que sentido e como (risos)?

Por meio de projetos apoiados por empresas privadas, somos contratados para potencializar um trabalho existente, melhorar os processos positivos e minimizar os problemas apontados nos diagnósticos aplicados, trabalhando sempre a valorização das pessoas e do empreendimento. E quem proporciona isso são as grandes empresas que financiam os projetos para que várias entidades atuem como parceiras.

Neste contexto, quais são os interesses das indústrias?

As grandes empresas hoje estão preocupadas com a logística reversa e sabem de suas responsabilidades previstas nos acordos setoriais impostos pela Lei Federal 12305/10, que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Um dos objetivos é investir nas cooperativas. Só que, na minha visão, elas ainda não conseguem fazer um investimento diretamente na cooperativa.

O terceiro setor seria a garantia de que o investimento não seria perdido?

Sim. Porque se a cooperativa tem uma gestão administrativa desorganizada, não há ainda uma relação de confiança. Isso, eu avalio que evoluirá com o tempo.

Aliás, esta é a missão de entidades como a Reciclázaro? Como vocês fazem isso, no sentido de melhorar a qualidade de gestão?

Nós trabalhamos com gestão administrativa, segurança no trabalho e consciência alimentar dentro das cooperativas. Nós, há cinco anos, disponibilizamos através dos projetos um técnico de segurança do trabalho para as cooperativas. Foi quando o Poder Público despertou para a importância da segurança no trabalho. Hoje, a Prefeitura também tem funcionários atuando neste processo.

Os acidentes de trabalho são um problema ainda para as cooperativas, em ambientes com equipamentos como prensas, empilhadeiras e esteiras?

Quando começamos, não havia preocupação em utilização de equipamentos de segurança, nem com processos de segurança. Havia acidentes, como gente que pisava em vidro, por exemplo. Não lembro de nada muito grave, mas havia. Com a nossa interferência, conseguimos reduzir os acidentes, embora, como não havia registros anteriores, não temos números concretos para comparações. Nós implantamos controles dentro dos espaços. Um exemplo: o cooperado tem que assinar uma ficha de controle quando recebe um equipamento de segurança. Quando há acidentes, têm que ser registrados, até para fins trabalhistas. Outro exemplo foi a colocação de extintores de incêndio dentro das cooperativas. Nosso projeto fez com que, para além da questão dos acidentes, as cooperativas passassem a ter um histórico administrativo, mas de maneira humanizada.

Uma espécie de política de Recursos Humanos...

Sim. Quando você chega numa cooperativa, muitas vezes a pessoa da esteira não sabe o nome do colega ao lado. Entre eles, muitas vezes eles são invisíveis. Nós desenvolvemos um software, para cadastro interno, com todos os dados de cada cooperado. Se a pessoa é casada, quantos filhos tem, se é dependente químico, se sofre de alguma doença, se recebe algum benefício social. Aí, a pessoa falta, busca-se saber por que ele faltou, para auxiliá-lo. O importante é que a gestão veja o negócio, mas sem abandonar o lado humano. Este é o viés da Reciclázaro.

A senhora falou de consciência alimentar. Soube que no passado havia nas cooperativas pessoas que comiam restos de alimentos nas esteiras. Isso ainda é uma prática?

Era comum, um absurdo. O que acontecia e acontece cada vez menos é que as pessoas fazem o descarte de maneira errada, por falta de informação. A pessoa pega a embalagem de pizza e coloca o papelão da embalagem, só que deixa restos de pizza. O catador, que está há dias sem comer, vai lá e come. O mesmo acontece com remédios. A pessoa descarta o vidrinho, que é reciclável, mas mantém os medicamentos. A gente percebeu que houve uma redução nesta prática depois do programa de reeducação que fizemos.

A fome é uma coisa presente entre os cooperados? Não deveria ser, uma vez que a pessoa está trabalhando?

De fato, não deveria. Mas se você for pensar que um cooperado, por vezes, não chega a receber um salário mínimo e a família dele é de seis, sete pessoas, então, infelizmente, a gente ainda tem a questão da alimentação muito presente.

Existem dados que mensurem isso?

Não existem dados precisos. No âmbito do Reciclázaro, estamos com 700 pessoas nas 20 cooperativas em que trabalhamos. Mas não há um perfil traçado. Mesmo porque existem também programas sociais que fornecem cestas básicas em cooperativas. Outro ponto é que implantamos hortas em 20 cooperativas, de dez anos para cá. É um quadro, tanto o da alimentação na esteira quanto o da fome, que vem evoluindo, mas que é preocupante.

Os salários têm a ver com isso? A maioria que a reportagem visitou diz pagar cerca de um salário mínimo (R$ 954), o que, convenhamos, considero pouco para uma cidade cara como São Paulo. É possível mudar esta realidade, uma vez que as cooperativas devem ser vistas como negócio? A senhora não concorda que a renda está aquém do que deveria?

Eu concordo. O que procuramos fazer...  há vários fatores neste universo. Uma das coisas que passei a entender é que cada pessoa tem uma ambição. Tem gente que ganhava R$ 100 e hoje ganha R$ 900,00. Agora, é preciso aumentar este degrau, e é onde trabalhamos. É preciso fazer com que os cooperados entendam – e São Paulo está a anos-luz à frente do Brasil – é que as cooperativas são um negócio e que os produtos que eles trabalham têm que ser transformados em dinheiro que será revertido para cada um deles.

Mas nenhuma cooperativa chegou nisso ainda do ponto de vista salarial?

Ainda estamos longe, mas é um quadro muito melhor do que o de há dez anos.

Imagem - Cooperativa Vira Lata. Foto: Thiago Mucci

Cooperativa Vira Lata. Foto: Thiago Mucci

Isso me parece ter a ver com a questão dos preços que as cooperativas conseguem obter com as vendas dos recicláveis. Muitas reclamam estar nas mãos de atravessadores por não terem escala para vender diretamente para as indústrias. Por que as cooperativas não se juntam para reverter este quadro e gerar escala?

Falta uma organização melhor entre as cooperativas. Se isso fosse feito, melhoraria muito. Mas eles precisam se organizar. Muitas estão inseridas em rede, mas ainda não fazem a comercialização em rede. Não é falta de material. É uma questão de cultura, que terá que ser resolvida pelas cooperativas.

O Poder Público deveria auxiliar neste processo, intervindo para organizar as cooperativas?

Não deveria intervir. O Poder Público tem um papel muito importante, mas sempre há o risco de uma política destas não durar quando mudar uma gestão. Isso tem que ser feito pelas cooperativas entre si e com o mercado. Não é papel do Estado conduzir este processo. E acho que é possível.

Então, por que não acontece?

Se eles tivessem a visão só de negócios, seria incrível. Eles teriam um poder de força que acabaria com qualquer atravessador. Mas ainda não há esta cultura e sinergia entre todos os cooperados.

Há casos em que as indústrias compram diretamente das cooperativas. Isso acontece por caridade ou marketing social ou há viabilidade econômica neste tipo de iniciativa?

Não é por caridade. Ninguém manda um caminhão para fechar um frete se o custo for inviável. As cooperativas levam os materiais para os centros de coletas destas indústrias ou as indústrias agendam as coletas. É algo viável.

Pela indústria, as cooperativas são importantes ou seriam algo dispensável dentro da logística reversa? Em outros termos, elas existem por viabilidade econômica ou por apelo social?

Está definido por lei, pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, que o material reciclável deve prioritariamente passar pelas cooperativas. Porque, se não estivesse, a indústria poderia acabar, entre aspas, com as cooperativas, já que a reciclagem é um negócio. A reciclagem só pode ser feita diretamente se as cooperativas não existirem ou não estiverem funcionando. Porque a logística reversa, de uma maneira ou outra, vai acontecer. A lei, neste sentido, veio favorecer as cooperativas, obrigando-as a tomar para si a responsabilidade de terem a visão de que devem agir como empresários.

Hoje esta visão é a predominante dentre os cooperados e cooperativas?

É. Houve uma evolução grande nos últimos anos.

Uma cooperada informou à reportagem que a média de perda nas cooperativas é de 10%. Ou seja, são materiais que deveriam estar sendo reciclados e acabam indo para os aterros. Por que isso ocorre?

Existem falhas de processos. Não temos esta mensuração, e é um desafio fazer esta mensuração. Aliás, o maior desafio das cooperativas é que eles retrabalhem o rejeito antes de destiná-lo ao aterro (o retrabalho seria repassar o material pela esteira para coletar itens que foram perdidos na primeira triagem). Só que lá naquele rejeito ainda há dinheiro, e que está indo para o aterro. Sem esta mensuração, você também não pode conversar com o Poder Público para melhorar a coleta seletiva numa região que, por exemplo, esteja recolhendo mal a coleta seletiva (sem a separação adequada do lixo pelos moradores). É um desafio para as cooperativas e para nós técnicos.

Se a senhora fosse fazer uma análise destes últimos dez anos e projetá-la ao futuro, seu prognóstico seria pessimista ou otimista?

Muito otimista. A consciência das pessoas está cada vez maior na hora do consumir e descartar. Então, isso faz com que o fluxo de materiais que vão para as cooperativas tende a aumentar. Falta muito? Falta. Mas caminhamos para um crescente, ainda mais num cenário em que temos uma demanda reprimida (somente 2% dos recicláveis em São Paulo são reaproveitados). Quando comecei, as pessoas cooperadas eram muito sofridas e se enxergavam excluídas. Hoje, estas pessoas entendem que eles são agentes de transformação, que o lixo é uma fonte de riqueza, que aliás eles nem chamam mais de lixo. E eles sabem que precisam ter formação. Caminhamos neste sentido, e precisamos continuar ainda mais, para empoderar estas pessoas. O cenário é promissor.

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