11 de Agosto de 2026,09h00
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As cooperativas de reciclagem ampliaram sua participação nos sistemas de logística reversa no Brasil e abriram novas possibilidades de remuneração para milhares de catadores responsáveis pela coleta e triagem de resíduos no país.
Dados divulgados pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) apontam a existência de 2.941 organizações de catadores, entre cooperativas e associações, com cerca de 86,8 mil trabalhadores. Juntas, elas recuperaram 1,7 milhão de toneladas de resíduos em aproximadamente 1.700 municípios brasileiros.
Parte dessas organizações passou a prestar serviços para empresas responsáveis pelo retorno de embalagens e outros materiais após o consumo. Na prática, o trabalho feito pelos catadores permite recuperar resíduos, encaminhá-los para a indústria recicladora e atender às metas previstas pelos sistemas de logística reversa.
Um exemplo dessa relação aparece no Reciclar pelo Brasil, programa administrado pela Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat). De acordo com os números apresentados pela OCB, a plataforma mobilizou 7,8 mil profissionais em 26 estados e movimentou 102 mil toneladas de materiais.
Esse mercado cresce em paralelo ao avanço da economia circular na indústria brasileira. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 32% das empresas do setor garantem ou realizam a reciclagem de seus produtos. Outros 26% adotam ações de logística reversa e a mesma parcela utiliza recursos reciclados ou recuperados na fabricação.
Os números revelam uma relação direta entre as metas ambientais das empresas e o trabalho realizado diariamente por quem coleta, separa, prensa e comercializa materiais descartados pela população.
Para as cooperativas, a prestação desses serviços pode representar uma fonte adicional de receita, além da venda dos recicláveis. O modelo permite remunerar atividades que durante décadas ficaram à margem das cadeias formais, apesar de sustentarem boa parte da recuperação de resíduos pós-consumo no país.
O crescimento desse mercado, porém, traz outro debate. O aumento das obrigações empresariais precisa chegar à base da cadeia na forma de contratos, equipamentos, melhores condições de trabalho e pagamento adequado pelos serviços prestados.
A logística reversa pode cumprir, assim, uma função que vai além de retirar embalagens do lixo. Quando inclui cooperativas e remunera corretamente os catadores, transforma uma obrigação ambiental das empresas em trabalho e renda para milhares de famílias.
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