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Cooperativas precisam ser remuneradas pelo serviço ambiental

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Renda de muitas organizações ainda depende principalmente do valor pago pelos recicláveis. Foto: @role_sp

Quando uma cooperativa encaminha uma tonelada de papel, plástico, vidro ou metal para a reciclagem, o valor obtido com a venda dos materiais representa apenas uma parte de todo o trabalho realizado até aquele momento.

Antes da comercialização, os resíduos precisam ser coletados, transportados, recebidos e separados. A operação exige espaço, equipamentos, veículos, combustível, energia, manutenção, equipe e gestão. Também envolve processos de controle e rastreabilidade para garantir que os materiais tenham destinação ambientalmente adequada.

Mesmo assim, a renda de muitas organizações ainda depende principalmente do valor pago pelos recicláveis. Essa lógica desconsidera uma parte importante da atividade e torna as cooperativas mais vulneráveis às oscilações de preço desses materiais.

O pagamento por serviços ambientais busca ampliar esse olhar. A legislação brasileira define o instrumento como uma forma de remunerar catadores, cooperativas e outras organizações pela redução dos impactos ambientais e climáticos proporcionada pelo trabalho realizado.

Na prática, significa reconhecer que retirar materiais do fluxo de resíduos e encaminhá-los para a reciclagem é um serviço prestado à sociedade. Além de recuperar recursos que podem retornar à cadeia produtiva, esse trabalho reduz a quantidade destinada aos aterros e contribui para diminuir os impactos ambientais provocados pelo descarte.

O tema ganhou novo impulso neste ano. Em maio, o Conselho Nacional de Justiça recomendou que tribunais de todo o país remunerem cooperativas e associações de catadores pelos serviços de coleta, acondicionamento, transporte, triagem e destinação ambientalmente adequada dos recicláveis.

A orientação também estabelece que o valor pago considere custos reais da operação, como equipamentos de proteção, despesas administrativas, combustível, manutenção dos veículos, rastreamento, depreciação e tempo necessário para executar a coleta.

A discussão é importante porque ajuda a mudar uma lógica histórica da reciclagem brasileira. O trabalho das cooperativas não começa quando o material é vendido e tampouco pode ser medido apenas pelo preço de um quilo de papelão, plástico ou alumínio.

Valorizar os catadores também significa reconhecer economicamente todo o serviço necessário para que aquilo que descartamos volte à cadeia produtiva. Sem coleta, transporte, triagem, estrutura e trabalho, não existe reciclagem.


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