27 de Outubro de 2026,10h00
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Uma embalagem de papelão desenvolvida por pesquisadores da Embrapa e de instituições brasileiras e francesas conseguiu triplicar o tempo de conservação de morangos sob refrigeração, uma inovação que pode ajudar a reduzir o desperdício de alimentos e o uso de plásticos descartáveis.
A tecnologia utiliza um composto natural presente no orégano para combater os fungos responsáveis pela deterioração da fruta, o que permitiu ampliar sua vida útil de três para nove dias nos testes realizados pelos pesquisadores.
Além de prolongar a conservação dos alimentos, a novidade abre caminho para o desenvolvimento de embalagens mais sustentáveis, especialmente em um setor que ainda utiliza grandes quantidades de bandejas plásticas e filmes de difícil reciclagem.
O estudo envolveu pesquisadores da Embrapa Instrumentação, USP, UFSCar, Unesp e Universidade Grenoble Alpes, na França, que desenvolveram uma estrutura de papelão ondulado com diferentes camadas e liberação controlada de carvacrol.
Nos experimentos, realizados com 120 morangos armazenados a aproximadamente 10 °C, a embalagem ajudou a preservar a cor, a firmeza e outras características da fruta, além de inibir o desenvolvimento de fungos associados ao apodrecimento.
A pesquisa também chama atenção para a importância de repensar o design das embalagens, já que muitas frutas e verduras comercializadas no Brasil ainda são acondicionadas em plásticos de baixa reciclabilidade, como bandejas de isopor e filmes flexíveis.
Esses materiais representam um problema para as cooperativas de reciclagem, que frequentemente encontram dificuldades para separar e comercializar embalagens sem mercado consumidor ou com baixo valor de revenda.
Nesse contexto, desenvolver alternativas que protejam os alimentos e facilitem o reaproveitamento dos materiais pode contribuir para reduzir o volume de resíduos enviados aos aterros e valorizar o trabalho dos catadores.
A inovação ainda está em fase experimental e os pesquisadores pretendem aprofundar os estudos sobre a liberação do composto natural, mas os resultados indicam um caminho promissor para substituir determinadas embalagens plásticas por soluções à base de papelão.
Na União Europeia, novas regras para embalagens começaram a valer em agosto de 2026 e preveem restrições graduais ao uso de plásticos em hortifrutis, uma tendência que também pode influenciar o mercado brasileiro nos próximos anos.
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