23 de Julho de 2019,12h40
Veja outros artigos relacionados a seguir
Fator decisivo no desenvolvimento nacional, a biodiversidade está diretamente relacionada à qualidade de vida da população brasileira e deve ser incorporada nas discussões de políticas públicas. É o que defende Carlos Joly, professor da Unicamp e membro da coordenação da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), que busca colocar as questões de conservação e o uso sustentável da biodiversidade e serviços ecossistêmicos no cerne do modelo de desenvolvimento do país.
Lançado no dia 8 de novembro de 2018 pela BPBES, apoiada pelo programa BIOTA-FAPESP, o Sumário para Tomadores de Decisão do 1º Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade & Serviços Ecossistêmicos aponta que o Brasil, detentor da maior biodiversidade do planeta, tem a legislação, o capital humano e a capacidade para ser líder mundial em desenvolvimento sustentável.
Em entrevista a Agência FAPESP, Joly conta que o Brasil só tem a ganhar do ponto de vista econômico se sair do atual sistema de substituição de vegetação nativa por áreas agrícolas, por exemplo.
"É muito mais vantajoso para o país ter paisagens multifuncionais, com áreas agrícolas e de conservação, que permitam que os ecossistemas funcionem de forma muito melhor, mantendo os serviços ecossistêmicos essenciais, como o de recarga de aquíferos e de retirada de carbono da atmosfera”, comenta.
De acordo com o relatório, elaborado por um grupo de cerca de 100 cientistas, a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos geram emprego, renda e reduzem as desigualdades sociais e econômicas. Porém, isso só será possível se forem feitos investimentos em sua conservação e restauração, com políticas mais adequadas.
"Estamos formando mais do que um doutor por dia no setor de biodiversidade. Há muitos ganhos e o país tem histórico de liderança nos acordos globais, na diversidade biológica, no clima, no combate à desertificação e nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável", explica o professor de ecologia Fabio Scarano, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos coordenadores da plataforma, em reportagem publicada na Revista Época Negócios.
Para Scarano, a iniciativa deve vir do governo e do setor privado para eliminar as ações contraditórias.
“Temos várias leis que não são cumpridas, cerca de 80% do desmatamento no país é ilegal. Temos também a necessidade de se mudar de uma prática marrom para uma prática mais verde de produção e consumo. E a iniciativa não deve vir só do governo, mas também do setor privado, para criarmos um ambiente mais favorável que se dê essa mudança”, afirma.
O relatório pode ser acessado na íntegra na página da BPBES.
Fontes: Agência FAPESP,Sumário para Tomadores de Decisão do 1º Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade & Serviços Ecossistêmicos,Época negócios,BPBES
Texto produzido em 26/11/2018
Volume é 18 vezes superior ao índice registrado em 2021
Iniciativa aposta na educação ambiental para conscientizar população sobre coleta seletiva
Projeto de Lei reforça importância da educação ambiental na formação pedagógica
Proposta cria regras para reaproveitamento e logística reversa na mobilidade elétrica