Peixe é encontrado com embalagem de Yakult no estômago

09/09/2021

Imagem - Embalagem encontrada em peixe. Foto: Recicla Sampa / instituto argonauta

Embalagem encontrada em peixe. Foto: Recicla Sampa / instituto argonauta

Um peixe da espécie robalo foi capturado recentemente por um pescador na praia do Perequê-Açu, Ubatuba, com uma embalagem plástica de leite fermentado inteira no seu estômago.

O homem estava limpando o animal quando se deparou com o resíduo ainda intacto que media cerca de 8 centímetros.

Imediatamente, ele entrou em contato com o Instituto Argonauta, conhecido pela atuação com o Projeto Lixo Marinho de monitoramento de resíduos nas praias do Litoral Norte de São Paulo, para relatar o ocorrido.

Os pesquisadores do instituto examinaram o peixe e constataram que ele estava com o estômago completamente preenchido pela embalagem de Yakult. Casos assim, podem levar o animal à morte por inanição, que é quando ele não consegue mais se alimentar.

De acordo com o Boletim do Lixo mais recente, elaborado pelo Instituto Argonauta em parceria com o Aquário de Ubatuba, 64% das 130 praias monitoradas continham alguma evidência de lixo.

Ainda segundo o instituto, o plástico é o lixo marinho mais encontrado nas praias e corresponde a 70% dos resíduos coletados.  Seguido de vidro (6%), metal (5%) e papel/papelão (3%).

Plásticos poluem o oceano. Foto: helldiver3228 / Shutterstock

IMPACTO AMBIENTAL DO LIXO PLÁSTICO

Milhões de animais são mortos em função do impacto do lixo plástico no meio ambiente todos os anos. Quase 700 espécies, incluindo muitas ameaçadas de extinção, são conhecidas por serem diretamente afetadas pela poluição plástica. Já foram encontrados resíduos plásticos no sistema digestivo de praticamente todas as espécies de aves marinhas.

A maioria das mortes dos animais é causada por inanição. Focas, baleias, tartarugas e outros animais acabam estrangulados por equipamentos de pesca industrial abandonados ou em anéis plásticos descartados incorretamente.

Microplásticos foram encontrados em mais de 100 espécies aquáticas, incluindo peixes, camarões e mexilhões destinados ao consumo humano. Em muitos casos, esses pequenos pedaços são expelidos sem consequências pelo sistema digestivo. Mas se descobriu que eles podem obstruir o trato digestivo, perfurar órgãos e levar pessoas à morte.

Os resíduos plásticos também são consumidos pelos animais terrestres, incluindo elefantes, hienas, zebras, tigres, camelos, cabeças de gado, entre outros grandes mamíferos. Em alguns casos, eles causaram a morte desses animais.

Testes confirmaram danos ao fígado de algumas espécies e alterações nos sistemas reprodutivos de outras. Uma nova pesquisa mostrou que os alevinos comem nanofibras plásticas já nos seus primeiros dias de vida, levantando novas questões sobre os impactos do lixo plástico nas populações de peixes.

VOCÊ PODE AJUDAR!

O seu papel é fundamental para a redução do uso do plástico ou para seu reaproveitamento. Uma primeira dica é verificar se a produção do que você anda usando em casa é feita com plástico reciclável. Para isso, basta procurar o símbolo da reciclagem nas embalagens. São aquelas setinhas que apontam uma para outra em formato triangular.

A segunda dica é separar o lixo em dois: comum e reciclável. Assim, você garante que os resíduos plásticos sejam encaminhados para uma Central Mecanizada de Triagem ou para uma cooperativa de catadores de lixo reciclável.

Caso você ainda não pratique a coleta seletiva, aí estão algumas dicas para começar! Faça sua parte!

- Tenha duas lixeiras em casa para separar o lixo comum do reciclável, isso facilita o processo.

- Higienize suas embalagens antes de descartá-las para a coleta, o importante é utilizar água de reuso ou guardanapos sujos no procedimento.

- Fique atento aos dias e horários que o caminhão da coleta seletiva passa na sua residência, não misture os sacos do comum com os recicláveis.

- Coloque o lixo para coleta com poucas horas de antecedência, assim, ele não corre o risco de ser levado pela chuva, entupindo bueiros e causando enchentes.

Texto produzido em 9/9/2021

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