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Plásticos sem valor comercial sobrecarregam cooperativas

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Entre os materiais rejeitados por falta de aproveitamento econômico, plásticos correspondem a 45% do total descartado. Foto: @role_sp

Todos os meses, catadores e cooperativas de reciclagem desperdiçam dias inteiros de trabalho ao separar embalagens plásticas sem valor de mercado no Brasil.

O problema, que afeta diretamente a renda de milhares de profissionais da coleta seletiva, expõe falhas estruturais da logística reversa e os limites da reciclabilidade de muitos materiais colocados diariamente nas prateleiras.

O alerta aparece em uma pesquisa realizada pelo Instituto de Direito Coletivo e pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que analisou a rotina de 26 cooperativas de reciclagem. Segundo o levantamento, os plásticos representam cerca de 30% de tudo o que chega aos galpões de triagem.

No entanto, entre os materiais rejeitados por falta de aproveitamento econômico, eles correspondem a 45% do total descartado.

Na prática, isso significa perda de tempo, produtividade e renda. O estudo aponta que cada catador perde, em média, 15 horas mensais ao separar resíduos plásticos sem comercialização viável.

Ao final do mês, cooperativas acumulam prejuízos que variam entre R$ 1.179,03 e R$ 3.771,72 por unidade.

Especialistas explicam que muitos desses materiais até possuem reciclabilidade técnica. O problema está na ausência de mercado estruturado para absorver os resíduos e nos altos custos logísticos para encaminhá-los até as indústrias recicladoras.

Em diversos casos, o valor pago pelo material não cobre sequer o transporte, o que transforma embalagens teoricamente recicláveis em rejeitos destinados aos aterros sanitários.

O cenário reforça um debate cada vez mais presente no setor: reciclabilidade não depende apenas da composição do material, mas também da existência de cadeia econômica, infraestrutura e demanda industrial.

Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), fabricantes, importadores, comerciantes, consumidores e poder público compartilham a responsabilidade pelo ciclo de vida das embalagens.

A legislação também determina que empresas implementem sistemas de logística reversa para garantir a destinação ambientalmente adequada dos resíduos pós-consumo.

Apesar disso, entidades ligadas à reciclagem denunciam falhas na fiscalização e cobram maior responsabilização da indústria.

Para cooperativas e especialistas, a permanência de embalagens sem mercado nas gôndolas transfere aos catadores o custo ambiental e econômico da má concepção dos produtos.

Além do impacto financeiro, a situação também afeta as condições de trabalho nos centros de triagem. O excesso de rejeitos reduz a eficiência operacional das cooperativas, aumenta o volume destinado aos aterros e sobrecarrega profissionais que já atuam em condições vulneráveis.

O estudo reacende ainda o debate sobre padronização de embalagens, incentivo ao ecodesign e fortalecimento da logística reversa no Brasil.

Especialistas defendem que ampliar a reciclabilidade real dos materiais exige integração entre indústria, governos e cadeia da reciclagem, além de políticas públicas voltadas à valorização dos catadores e da coleta seletiva.

Sem isso, toneladas de resíduos continuarão nas mãos dos trabalhadores da reciclagem apenas para terminar no lixo comum.


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