07 de Julho de 2026,10h00
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Cada brasileiro gerou, em média, 1,14 quilo de lixo por dia em 2024, o maior índice registrado nos últimos 15 anos. O dado faz parte de um levantamento elaborado a partir de informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, e mostra que a produção de resíduos no país voltou a crescer após anos de relativa estabilidade.
A série histórica revela uma evolução preocupante. Em 2010, a média nacional era de 0,93 kg por habitante por dia. Em 2024, o indicador alcançou 1,14 kg, alta superior a 22%. Segundo os pesquisadores, a geração de lixo cresce em ritmo mais acelerado do que o aumento da população brasileira, o que amplia os desafios para municípios responsáveis pela coleta e destinação dos resíduos.
Especialistas ouvidos no estudo afirmam que o Brasil ainda concentra seus esforços no tratamento do lixo após o descarte, enquanto políticas voltadas à redução da geração de resíduos permanecem limitadas. A avaliação é de que faltam metas claras para prevenir o desperdício e incentivar mudanças de comportamento da população.
Outro ponto destacado é a composição do lixo brasileiro. A matéria orgânica representa cerca de 44% do total coletado. Na sequência aparece o plástico, responsável por aproximadamente 17% dos resíduos urbanos. Grande parte desse volume poderia deixar de ocupar espaço em aterros sanitários por meio da compostagem, da redução do consumo e da reciclagem.
Nos últimos meses, o governo federal deu um passo importante para enfrentar esse cenário ao regulamentar metas obrigatórias para a reciclagem de embalagens plásticas por meio do Decreto Federal nº 12.688/2025. A medida busca fortalecer a logística reversa prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e ampliar o reaproveitamento desse material no país.
Embora políticas públicas sejam fundamentais, pequenas mudanças na rotina fazem diferença. Planejar as compras, evitar produtos descartáveis, priorizar embalagens reutilizáveis, aproveitar melhor os alimentos e separar corretamente os recicláveis ajudam a diminuir a quantidade de resíduos produzidos diariamente.
Na cidade de São Paulo, por exemplo, moradores atendidos pela coleta seletiva podem encaminhar papel, plástico, metal e vidro para reciclagem. Já os resíduos orgânicos podem seguir para sistemas de compostagem doméstica ou iniciativas especializadas, reduzindo o volume destinado aos aterros sanitários.
Quanto menos lixo cada pessoa produz, menores são os impactos sobre o meio ambiente, os gastos públicos com limpeza urbana e a pressão sobre aterros. Além disso, a separação correta dos recicláveis fortalece o trabalho das cooperativas e dos catadores, responsáveis por grande parte da reciclagem realizada no Brasil.
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