Lixo reciclável: o guia completo

Esteira de triagem, concessionária Loga. Foto: Antônio Brasiliano/ https://antoniobrasiliano.carbonmade.com/

Saiba como reciclar o lixo corretamente

19/07/2018

Imagem - Foto: Rungruedee / shutterstock.com

Foto: Rungruedee / shutterstock.com

Hoje em dia, muito se fala sobre reciclagem e coleta seletiva, mas será que você sabe exatamente o que significa cada uma dessas coisas? Muitos termos podem ser confusos para quem não está familiarizado com o assunto, mas tomar a atitude certa é mais simples do que parece.

História

Antes de mais nada, vamos voltar um pouco no tempo e entender um pouco sobre a história do lixo e da reciclagem?

O lixo

De acordo com A História do Lixo: a limpeza urbana através dos tempos, de 2009, escrito por Emílio Maciel Eigenheer, o lixo é produzido nas mais simples atividades humanas, e o ser humano o produz desde os mais antigos tempos. Não é difícil de entender se pensarmos na preparação de um alimento, por exemplo, e em todas as substâncias que são “descartadas” neste processo. Existem, ainda, os dejetos que nosso próprio corpo produz, como fezes, urinas e demais secreções.

Para se ter uma ideia, desde a pré-história já se queimava lixo com o intuito de eliminar o mau cheiro proveniente dele. Cinzas e ossos, por exemplo, eram separados em locais pré-determinados.

Apesar disso, no período em que o homem vivia em grupos nômades, o lixo não era exatamente um problema. As dificuldades em lidar com os resíduos começaram quando as pessoas passaram a se fixar em aldeias e estas, por sua vez, viraram cidades.

A reciclagem

Ainda de acordo com a pesquisa, as antigas civilizações (como os hindus) já contavam com um sistema de esgoto. Os israelitas, por sua vez, possuíam regras claras para o descarte de seus excrementos e dos restos de animais sacrificados, além dos cadáveres e do lixo produzido no reino.

Diversas cidades italianas, durante a Idade Média, possuíam regras para a destinação de objetos, carcaças de animais e também para a eliminação de água parada. Lixo e fezes nas ruas eram proibidos.

Consta ainda na Idade Média, o surgimento dos primeiros serviços de coleta de lixo e limpeza de vias públicas. Inicialmente, os trabalhos eram de responsabilidade de particulares. Apenas quando estes fracassavam, optava-se pelo serviço público. Geralmente, a limpeza da cidade era atribuída ao carrasco local e seus auxiliares, e a ajuda de prisioneiros e prostitutas era bastante comum.

No entanto, se podemos apontar um marco para a mudança da relação do homem com o lixo, seria o pós-Segunda Guerra Mundial. A destruição de grandes cidades a partir do conflito gerou, também, conquistas significativas nos sistemas de limpeza urbana, que precisaram ser reconstruídos.

Com o crescimento do consumo de massa, o consequente aumento dos resíduos sólidos domésticos passou a chamar a atenção dos poderes públicos. A Alemanha, que até hoje se destaca com práticas extremamente avançadas sobre reciclagem e gestão de resíduos sólidos, foi um país que atuou de forma decisiva para essa mudança.

O país foi se aperfeiçoando na administração do lixo com a criação de leis e normas. Além da coleta e da limpeza das ruas, a Alemanha passou a se preocupar e tomou atitudes quanto à destinação final e à recuperação dos resíduos. A partir de 1993, foram implantados diferentes tipos de aterros sanitários, além de sistemas de coleta seletiva, hoje disseminados em todo o país.

Imagem - Materiais recicláveis separados para reciclagem, Loga. Foto: Antônio Brasiliano/ https://antoniobrasiliano.carbonmade.com/

Materiais recicláveis separados para reciclagem, Loga. Foto: Antônio Brasiliano/ https://antoniobrasiliano.carbonmade.com/

No Brasil

A reciclagem do lixo urbano no Brasil ainda está longe da ideal: apenas 18% dos municípios brasileiros (1.055) operam programas de coleta seletiva. Os dados são da Pesquisa Ciclosoft, que vem sendo realizada há 22 anos, divulgada pela organização Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), e reúne informações sobre programas desenvolvidos por prefeituras sobre composição do lixo reciclável, custos de operação, participação de cooperativas de catadores e população atendida.

A série histórica do estudo indica que há um aumento progressivo de municípios que aderem à prática. Dados de 2016, por exemplo, evidenciam um aumento de 92% no número de prefeituras que desenvolvem programas de coleta seletiva, passando de 81 em 1994 para 1.055 em 2016. No entanto, 82% das cidades ainda não implantaram o processo.

Os dados são ainda mais desanimadores quando são analisados os números de brasileiros atendidos pelos programas: apenas 31 milhões, cerca de 15% da população do país. Isto significa que 85% dos brasileiros não conseguem contribuir com o aumento do percentual de reciclagem no país. Há, ainda, bastante trabalho a ser feito neste setor.

Apesar disso, o cenário tem melhorado com o passar dos anos. Isso porque, desde 2010, o país conta com a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, que exige, entre outras coisas, que as prefeituras implantem sistemas de coleta seletiva e que as empresas criem políticas de logística reversa (ou seja, fiquem responsáveis por coletar e encaminhar seus produtos pós-consumo para a reciclagem adequada).

O que significa reciclar lixo?

Como já explicamos algumas vezes em nosso site, a reciclagem é o processo de transformação dos resíduos sólidos – ou seja, do lixo – que envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas a fim de transformar esses materiais em matéria-prima ou novos produtos. O principal objetivo é minimizar os diversos impactos que essas substâncias podem gerar ao meio ambiente.

Os “cinco erres” da sustentabilidade

A plataforma do Recicla Sampa é toda estruturada em cima dos cinco R’s - repense, reduza, reúse, recuse e recicle. Eles significam os comportamentos que os cidadãos devem ter diante dos resíduos que produzem. 

É preciso repensar nosso jeito de viver e agir em São Paulo; recusar produtos e serviços que não estejam comprometidos com o respeito ao meio ambiente; reduzir o volume de resíduo que cada um de nós geramos; reutilizar tudo que for possível para aumentar a vida útil dos produtos e tornar as coisas menos descartáveis; reciclar todo o resíduo que for possível.

 

Reciclagem de lixo comum

Agora que você já sabe as diferenças entre reciclar e reutilizar - e entre reciclagem e reaproveitamento - entenda o que fazer com o lixo reciclável que você produz em casa.

A forma mais simples de fazer a reciclagem de lixo doméstico consiste em separar seus resíduos em duas categorias: recicláveis e não recicláveis. O lixo reciclável engloba todos os materiais que podem ser reciclados para voltar ao consumidor de alguma forma, seja como novos produtos ou matéria-prima. São eles: papéis (papelão, jornal, dentre outros), plásticos, metais e vidros. Cartelas de comprimidos e bandejas de isopor também devem ser descartadas como lixo seco, pois podem se transformar em matéria-prima para blocos da construção civil. É importante, ainda, que as caixas de papelão dobradas (para economizar espaço), os vidros embalados em jornal ou papelão caso estejam quebrados, para não machucarem quem os manusear. Os papéis podem ser dobrados, porém, não devem estar amassados.

O lixo eletrônico (pilhas, baterias, celulares e demais eletrônicos) e as lâmpadas, apesar de serem considerados lixo seco, devem ser encaminhados para pontos específicos de coleta, como grandes redes de supermercado. No caso das pilhas e baterias de celular, estas podem ser devolvidas diretamente aos fabricantes.

Reciclagem de lixo orgânico

O lixo orgânico ou lixo úmido, consiste de materiais orgânicos (cascas de frutas e legumes, folhas e restos de comida) e não recicláveis (papel higiênico utilizado, materiais de higiene pessoal, plásticos e papéis engordurados, bitucas de cigarro, chiclete, etc.). Ele representa aproximadamente 50% de todo o lixo produzido diariamente por cada brasileiro.

Reciclagem e compostagem

É possível ajudar ainda mais o meio ambiente fazendo compostagem com seu lixo orgânico. O processo de compostagem pode ser definido como a reciclagem da matéria orgânica, que é transformada em adubo orgânico para plantas. É uma alternativa simples, que pode ser feita em casa.

Como criar sua própria composteira

1. Separe todos os resíduos orgânicos

Podem ser cascas de ovo, iogurte, cascas de frutas, sementes. Alimentos como queijo, carne, alho e arroz não são recomendados por atrair pragas, estragando o adubo que será gerado.

2. Escolha os recipientes

Não é necessário comprar algum utensílio específico. Podem ser dois baldes ou dois recipientes fundos que comportem o quanto de material orgânico você deseja reutilizar e que, de preferência, se encaixem, deixando espaço entre eles.

3. Escolha o lugar

 A composteira não pode estar em contato direto com sol, chuva e vento. O ideal é um local arejado e coberto.

4. Elabore sua composteira

Escolha o recipiente que ficará por cima e faça furos embaixo dele. É por esses furos que o chorume irá sair. Lembrando que, como ele foi gerado de maneira natural e limpa, também pode ser reaproveitado como biofertilizante na proporção de um litro de chorume para 10 litros de água. Encaixe os dois baldes e insira camadas na parte de cima.

5. Não mexa por, no mínimo, 15 dias

É necessário um tempo para que a composteira comece a funcionar, pois é preciso atingir um certo nível de calor para que as bactérias passem a decompor todo o alimento (pode chegar a 70 graus). Caso não aconteça, observe se é necessário regar um pouco ou se a quantidade de folhas secas é maior do que a de matéria orgânica. Mas, durante 15 dias, não mexa na composteira. Depois desse tempo, o ideal é revirar todo o material, para que ele seja oxigenado. O adubo estará pronto quando todo o material estiver de cor marrom escuro e com cheiro de terra fresca.

Tags: matérias
Espalhe essa informação

Assuntos Relacionados