SP inicia testes com ecobarcos para retirar lixo do Rio Pinheiros

19/06/2019

Imagem - Retirada de resíduos no Rio Pinheiros, em São Paulo. Foto: Atelier de Imagem

Retirada de resíduos no Rio Pinheiros, em São Paulo. Foto: Atelier de Imagem

No Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, São Paulo lançou mão de uma nova estratégia para retirar o lixo do Rio Pinheiros. Os chamados Ecoboats, dois ecobarcos coletores de resíduos flutuantes, fazem parte das novas tecnologias para o projeto “Novo Rio Pinheiros”. A ação prevê um rio livre de mau cheiro, com vida marinha e próprio para navegação, gerando mais qualidade de vida para a população. No projeto também está previsto o plano de revitalização do entorno do rio, com áreas de esporte e lazer, que impulsionará a economia.

A ação com ecobarcos, encabeçada pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, por meio da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), teve início nas proximidades da Usina de Traição, zona Sul da cidade. “O lixo mais estranho que encontramos foi uma cabeça de manequim”, conta o carioca Bruno Lasneau, motorista do barco.

Cada embarcação conta com dois tripulantes, que começam a operar por volta das 7h.

“Sofás, TVs, cadeiras, materiais de construção, assim como muitas garrafas PET e latas de tintas. É isso que retiramos quase todos os dias na superfície da água”, diz Bruno.

Já para coletar os resíduos que estão no fundo do rio, a EMAE conta com barcos maiores.

Para se ter uma ideia, um sofá molhado chega a pesar quase meia tonelada. De acordo com Sérgio Duarte, um dos sócios da empresa dos Ecoboats, a estrutura foi especialmente projetada para esses resíduos mais pesados. Por essa razão, ela é constituída de aço e inox, o que faz com que tenha a capacidade de carregar mais de 4 toneladas por dia. Segundo o profissional, é preciso que a embarcação tenha uma navegação rasa para ter mais eficiência na retirada do lixo flutuante. 

“Com sete metros de comprimento e três de largura, o barco possui uma pá coletora na proa por onde grandes quantidades de resíduos são coletadas”, explica Sérgio. Depois de recolhidos, ainda dentro da embarcação, os materiais são lançados em uma espécie de fosso, forrado com uma rede de içamento quadriculada, a mesma usada em regiões portuárias para levantar contêineres.

Dentro do fosso, o paulistano Sidney Souza, 29 anos, arruma o lixo que é lançado pela pá coletora para acomodar mais resíduos. “Com esse trabalho tenho a oportunidade de melhorar a qualidade do rio”, diz orgulhoso.

Com o fosso lotado, os resíduos que estão em cima da rede de içamento são recolhidos por um guindaste e deixados no leito do rio para secagem. Depois, os materiais são pesados em uma balança e, posteriormente, recolhidos por um caminhão contratado pela EMAE, que encaminha o lixo a um aterro sanitário particular em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Em apenas uma semana, já foram retiradas mais de 40 toneladas de resíduos da água, o equivalente a 5 toneladas por dia.

Não é a primeira vez que os Ecoboats atuam na limpeza de mananciais. Os barcos já trazem na bagagem a limpeza do rio Capibaribe, no Recife (PE), e da Baía de Guanabara, Lagoa Rodrigo de Freitas e complexo Lagunar Barra da Tijuca-Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Na capital carioca, as tecnologias atuaram por aproximadamente dez anos na limpeza dos mananciais. “Na Baía de Guanabara, por exemplo, foram retiradas mais de 10 mil toneladas de lixo”, conta Sérgio Duarte.

Segundo a EMAE, na capital paulista os barcos atuarão por 30 dias em regime de teste. “Caso a experiência seja satisfatória, os Ecoboats serão adquiridos”, informou a entidade.

 

Texto produzido em 19/06/2019

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