Lixo zero

Embalagens reutilizáveis auxiliam no processo do lixo zero. Foto: UlrikaAr/shutterstock.com

36 eventos em 7 dias para falar sobre o lixo

13/03/2019

Reaproveitar ao máximo os resíduos orgânicos e recicláveis, encaminhá-los de maneira adequada e evitar que eles sejam enviados aos aterros sanitários. Esses são os principais conceitos do “Lixo Zero”, um movimento que visa combater a mistura de resíduos orgânicos e recicláveis com rejeitos. E mais, O “Lixo Zero” busca soluções e ideias para diminuir o lixo na rotina de todos nós, provocando a sociedade sobre o descarte correto de materiais.

Ações como essa vem ganhando força a cada ano. No Brasil foram 66 cidades envolvidas e duas em Moçambique, na África. Juntas promoveram de 18 a 29 de outubro a “Semana Lixo Zero”. Uma iniciativa do Instituto Lixo Zero, organização sem fins lucrativos e da Abraps - Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade.

A cidade de São Paulo participa pelo terceiro ano consecutivo do evento, organizado pela Casa Causa, uma consultoria para pessoas e empresas que desejam gerar menos lixo.

“A intenção foi abrir o saco preto e ver o que tem dentro. Lixo é um problema nacional e nós devemos melhorar essa questão”, disse Flávia Cunha, sócia da Casa Causa e mediadora de discussões da “Semana Lixo Zero” de São Paulo.  

Supermercados, escolas, bares, cozinhas industriais, hospitais, empresários da indústria têxtil, advogados, associações de bairros, entre outros participantes discutiram como gerar menos lixo dentro da realidade de cada setor e compartilharam suas práticas diárias para tentar amenizar esse problema.

Resíduo orgânico de mercado. Foto: StockCube/shutterstock.com

Combatendo o Desperdício

Concorrentes varejistas como o Carrefour, Rede Hortifrutti e Quitanda se uniram para compartilhar suas práticas ambientais. A maior preocupação dos supermercados é melhorar a gestão dos resíduos orgânicos para que não sejam jogados fora e, portanto, desperdiçados. O Carrefour costuma vender com 50% de desconto os alimentos que estão próximos da data de vencimento. Já a Rede Hortifrutti acompanha as frutas e legumes desde a saída da fazenda, até a chegada nas gôndolas, para evitar que elas se percam durante todo o trajeto.

Reduzir o desperdício de alimentos é problema urgente no Brasil. Pesquisa da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), publicada em setembro deste ano, revela que os brasileiros jogam fora cerca de 128 quilos de comida por ano. O dado mostra que o Brasil está na lista dos 10 países que mais desperdiçam alimentos no mundo. O gerenciamento dos resíduos orgânicos também foi uma das discussões da “Semana Lixo Zero”, tema de um seminário na Câmara Municipal da cidade de São Paulo.  

O lixo orgânico também é reciclável e pode ser transformado em adubo de altíssima qualidade por meio do método da compostagem que pode ser feita por composteiras elétricas, de forma automática, ou por uma composteira doméstica manual que utiliza minhocas no processo de decomposição dos alimentos.

Imagem - Embalagens de vacinas. Foto: AjayTvm/shutterstock.com

Embalagens de vacinas. Foto: AjayTvm/shutterstock.com

Lixo Hospitalar, uma preocupação

Outro tema que se destacou foi o descarte dos resíduos provenientes dos estabelecimentos de saúde e hospitalares. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determina regras para armazenar, transportar e destinar corretamente esses resíduos. Eles são considerados contaminantes e devem ter um cuidado exclusivo para destiná-los corretamente.

Esse tipo de lixo é tratado em locais específicos chamado de Estações de Tratamento de Resíduos de Saúde, onde ocorrem a incineração ou esterilização de agulhas, seringas, gases, algodão, luvas, materiais cortantes, cateteres, entre outros, utilizados em unidade de saúde e hospitais. São insumos infectantes como restos de medicação, sangue, fezes, entre outras substâncias tóxicas e radioativas de alto poder de contaminação do solo.

Existem sete estações desse tipo em São Paulo e na região metropolitana da cidade. Durante o evento foi possível visitar uma dessas unidades, a Silcon, localizada na região de Mauá.

“Garantimos que os resíduos contaminantes tenham uma destinação segura”, diz o engenheiro ambiental da Silcon, Johnny Alves.

Foram mais de 36 eventos realizados durante a “Semana Lixo Zero”, incluindo palestras, oficinas e visitas técnicas aos locais que cuidam do lixo. A população teve a oportunidade de conhecer de perto como funciona uma parte do processo de separação e destinação do lixo residencial em visita à Central Mecanizada de Triagem e Estação de Transbordo Ponte Pequena, da Loga, uma das concessionárias de limpeza urbana da capital, responsáveis pela coleta do lixo domiciliar da região central, norte e oeste.

No local foi possível ver o que acontece com o lixo a partir do momento em que ele é recolhido pelo caminhão na porta das residências. Uma realidade que boa parte da população desconhece. “Nunca vi tanto saco preto de lixo em um lugar só”, disse a engenheira de alimentos Nadine Miranda, uma das participantes do evento.

Logística Reversa é regra para Licenciamento Ambiental

O gerenciamento dos resíduos sólidos pós-consumo também foi discutido no Primeiro Encontro do Grupo de Trabalho Jurídico da Abraps, que trouxe questões relacionadas ao Licenciamento Ambiental e a Logística Reversa. O encontro reuniu advogados interessados em saber sobre a nova determinação da Cetesb que preconiza um plano de logística reversa por parte das empresas que desejem renovar ou obter licenciamento ambiental. A obrigação existe desde 2010, mas somente agora a Cetesb punirá quem não cumprir as regras.

“Queremos promover o conhecimento, gerar conteúdo e discutir temas relevantes da área ambiental e com impacto social e econômico. Sempre com cases de empresários que já estão cumprindo a legislação com lucro, inclusão social e respeitando os limites ambientais”, explicou Ricardo Oliani, um dos voluntários da Abraps que comandou a discussão do tema.

Mais de 2.500 pessoas participaram da “Semana Lixo Zero” em 2018. Os resultados superaram as expectativas em relação ao ano passado. “Acredito que nesse ano conseguimos mais resultados, porque reunimos vários setores e tivemos ações práticas”, explicou Flávia Cunha, sócia da Casa Causa. Para 2019, a Casa Causa pretende fechar parcerias muito mais robustas que ajudarão a aumentar o alcance da ação dedicada somente para a questão do lixo e sensibilizar as pessoas mostrando que o tema não acaba somente na lixeira.

Confira todos os eventos, clicando aqui.

Texto produzido em 28/11/2018

Tags: matérias
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