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Brasil ainda convive com mais de 1.600 lixões a céu aberto

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Além dos impactos ambientais e sanitários, os lixões evidenciam um grave problema social.

Apesar dos avanços da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares) e do Marco Legal do Saneamento, o Brasil ainda está longe de eliminar os lixões.

Atualmente, mais de 1.600 municípios continuam destinando seus resíduos para áreas a céu aberto, em desacordo com a legislação ambiental.

O cenário preocupa porque os impactos vão muito além da paisagem degradada. Os lixões contaminam o solo, comprometem recursos hídricos, ampliam as emissões de gases de efeito estufa e expõem milhares de pessoas a situações de extrema vulnerabilidade.

Entre os principais problemas está o chorume, líquido escuro produzido pela decomposição do lixo. Altamente tóxico, ele infiltra no solo e pode alcançar lençóis freáticos, rios e mananciais utilizados para o abastecimento de água, além de transportar metais pesados, microrganismos e outras substâncias nocivas.

Outro efeito grave ocorre na atmosfera. Sem qualquer controle ambiental, a decomposição da matéria orgânica libera grandes quantidades de metano, gás de efeito estufa com potencial de aquecimento muito superior ao dióxido de carbono.

Reduzir os lixões, portanto, representa uma medida importante para combater as mudanças climáticas.

A saúde pública também sofre consequências diretas. Esses locais favorecem a proliferação de ratos, moscas, baratas, mosquitos e urubus, animais capazes de transmitir doenças e aumentar os riscos para as comunidades do entorno.

Além dos impactos ambientais e sanitários, os lixões evidenciam um grave problema social. Afinal, em todas as regiões do país, famílias dependem da coleta de materiais recicláveis nesses locais para garantir renda.

Sem infraestrutura, equipamentos de proteção ou qualquer segurança, homens e mulheres enfrentam diariamente riscos de acidentes, contaminação e exposição a resíduos perigososos.

O encerramento dos lixões passa pela ampliação da coleta seletiva, pela destinação ambientalmente adequada dos resíduos, pela construção de aterros sanitários, pelo fortalecimento da reciclagem e pelo apoio às cooperativas e aos catadores, que exercem papel fundamental na recuperação de materiais recicláveis em todo o país.

O tema voltou à pauta nesta semana durante uma reunião em Brasília entre o presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), Pedro Maranhão, e o secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Márcio Leão Coelho.

O encontro tratou de medidas para acelerar a modernização da gestão de resíduos sólidos e superar os desafios que ainda impedem o Brasil de cumprir as metas previstas pelo Planares e pelo Marco Legal do Saneamento.

Enquanto o país não elimina definitivamente os lixões, milhões de toneladas de resíduos continuam causando impactos ambientais, econômicos e sociais que poderiam ser evitados com planejamento, investimentos e políticas públicas voltadas ao descarte correto e ao fortalecimento da economia circular.


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