Caixas de suco recicladas viram telhas para casas populares

21/04/2021

Imagem - Telhas desenvolvidas a partir de caixas de suco recicladas. Foto: Polen

Telhas desenvolvidas a partir de caixas de suco recicladas. Foto: Polen

Logística reversa é uma tendência muito bem-vinda no contexto do resíduo reciclável e a gente aqui no Recicla Sampa vem falando bastante disso nas últimas semanas. É muito legal, a cada semana, encontrar diferentes e importantíssimas iniciativas sendo colocadas em prática pelas empresas.

Recentemente, a marca de bebidas Do Bem anunciou um projeto muito bacana. Batizada de “Bagaço”, a iniciativa transforma as caixas de suco descartadas em telhas para a construção de casas populares, sedes comunitárias e moradias emergenciais em diferentes estados do Brasil.

O programa de compensação ambiental é desenvolvido pela startup Polen e já beneficiou comunidades em Pernambuco, Goiás, Paraná, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com a cleantech, são necessárias cerca de 1.100 caixas para produzir cada uma das telhas.

“Todas as matérias primas provenientes das caixas de suco recicladas, no caso o papel e o polialumínio, estão sendo transformadas em produtos para beneficiar ONGs e instituições, além de ajudar outras iniciativas socioambientais”, conta Renato Paquet, CEO da Polen.

Paquet explica ainda que o programa foi desenvolvido de forma personalizada para a Do Bem e carrega em seu DNA um grande diferencial no modo em que a marca neutraliza os impactos de suas embalagens descartadas.

Segundo a equipe da Polen, a meta do projeto é compensar 100% dos resíduos da produção das embalagens longa vida da marca. Em números, o projeto Bagaço vai retirar do meio ambiente mais de mil toneladas de lixo reciclável todos os anos. Cada embalagem Do Bem é formada por papel (75%), alumínio (5%) e plástico (20%).

A produção das casas foi divida por duas ONGs: Teto e Ecolar. Ambas são especializadas em construir moradias sustentáveis em áreas de vulnerabilidade urbana. A Teto já colocou de pé três banheiros comunitários, duas sedes comunitárias, uma praça, uma biblioteca e 18 moradias emergenciais. Outras 17 estão em construção.

Já a Ecolar construiu dez casas nos últimos meses, sendo oito delas no primeiro trimestre deste ano. A ONG infoma que já estão em andamento obras em unidades que vão contemplar outros estados do país. 

“Acreditamos na inovação para sustentar essa nova maneira de como as empresas e a sociedade lidam com seus resíduos sólidos. Por isso, procuramos desenvolver soluções que entram nas estratégias de governança das organizações. Queremos promover programas perenes, não somente um projeto temporário”, afirma Renato. 

Logística Reversa

Desde 2010, quando foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a logística reversa passou a ser uma realidade nas empresas brasileiras. Mas o que é a logística reversa e porque ela é tão importante no contexto da reciclagem de lixo e no impacto dos resíduos no meio ambiente?

Bom, de acordo com o texto da Lei Federal 12.305/2010, a logística reversa é um conjunto de ações destinadas a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento ou destinação final ambientalmente adequada. Na prática, a logística reversa promove a coleta, o reuso, a reciclagem, o tratamento e a disposição final dos resíduos após o consumo dos produtos.

Ou seja, está diretamente vinculada à responsabilidade das empresas pelas embalagens onde seus produtos são vendidos. Consolidada em diferentes regiões do mundo, com destaque na Europa, essa importante prática vem ganhando espaço e adeptos a cada ano no Brasil.

Texto produzido em 21/4/2021

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