Recicla entrevista: Susy Yoshimura, do Grupo Pão de Açúcar

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Conscientização sobre o desenvolvimento sustentável é um desafio

02/05/2018

Imagem - Susy Yoshimura responde pela área de sustentabilidade do Grupo Pão de Açúcar. Foto: Omar Paixão

Susy Yoshimura responde pela área de sustentabilidade do Grupo Pão de Açúcar. Foto: Omar Paixão

Muito antes de o Congresso brasileiro aprovar a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) já contava com postos de entrega voluntária (PEVs), em 2001. Não à toa, o GPA é uma das referências da indústria quando o assunto é reciclagem. E este trabalho ajuda a gerar renda para milhares de pessoas.

De acordo com Susy Yoshimura, diretora de sustentabilidade do Grupo, todo material arrecadado é doado para as cooperativas parceiras do programa Estações de Reciclagem Pão de Açúcar Unilever, que comercializam os materiais e geram renda. Atualmente, já são 27 cooperativas, o que representa um número médio de 1.057 cooperados e impacta cerca de 3.171 pessoas.

Planos para alavancar ainda mais o assunto dentro da rede de lojas não faltam. “Novas parcerias estão em andamento, como a realizada com a Embalixo, uma empresa especializada em embalagens plásticas, que desenvolverá sacos de lixo com parte dos resíduos de plástico provenientes das Estações de Reciclagem Pão de Açúcar Unilever”.

Confira a entrevista na íntegra:

O GPA conta com postos de entrega voluntária (PEVs) desde 2001, muito antes de o Congresso aprovar a Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Como surgiu a ideia e como foi feita a conscientização dos consumidores para que utilizassem o recurso?

Os princípios de sustentabilidade estão imersos na cultura do GPA e a companhia está comprometida com iniciativas públicas ligadas a esta frente. A ideia surgiu alinhada a este propósito. Em parceria com a Unilever, as lojas do Pão de Açúcar coletam resíduos em Postos de Entrega Voluntária (PEVs) e recebem desde papel, plástico, metal e vidro, até óleo de cozinha usado. Outros coletores específicos recebem ainda pilhas, baterias, celulares e acessórios. A divulgação sobre essa iniciativa é feita periodicamente, visando sempre a conscientização de toda a sociedade.

Desde então, o que vem sendo feito pelo Grupo em relação aos resíduos gerados?

Todo material arrecadado é doado para as cooperativas parceiras do programa Estações de Reciclagem Pão de Açúcar Unilever, que comercializam os materiais e geram renda. Realizamos o trabalho de recebimento, triagem, separação e entrega para as cooperativas de reciclagem. Incentivamos os clientes a trazerem seus resíduos recicláveis e, atualmente, estudamos o desenvolvimento de projetos de economia circular. Novas parcerias também estão em andamento, como a realizada com a Embalixo, que desenvolverá sacos de lixo com parte dos resíduos de plástico provenientes das Estações de Reciclagem Pão de Açúcar Unilever.

Imagem - Óleo de cozinha sendo coletado para descarte. Foto: Mama Belle Love kids/shutterstock.com

Óleo de cozinha sendo coletado para descarte. Foto: Mama Belle Love kids/shutterstock.com

As embalagens depositadas nos PEVs são encaminhadas para cooperativas. Quantos postos de trabalho o Grupo já criou com essa iniciativa?

Atualmente estamos com 27 cooperativas, o que representa um número médio de 1.057 cooperados, impactando cerca de 3.171 pessoas (famílias dos cooperados).

Em 2017, vocês começaram a aplicar a logística reversa em relação ao plástico utilizado na embalagem do tira-manchas Qualitá, que desde então é produzido por meio da reciclagem de materiais obtidos nos PEVs. A reinserção de papéis e embalagens longa vida no ciclo produtivo do Pão de Açúcar também já é um case. Há algo planejado para estender o programa para outros tipos de materiais?

Sim, estamos estudando novas linhas de produtos de marcas exclusivas, produtos com os parceiros e também materiais de comunicação em loja, com material proveniente das estações.

Quais os desafios enfrentados pelo Grupo ao tentar reduzir o impacto ambiental em suas atividades, como o desperdício de alimentos e a destinação correta de resíduos?

O GPA é consciente do seu papel em responsabilidade social e, por isso, contamos com projetos de doação de alimentos que sobram em nossa operação das lojas Extra e Pão de Açúcar, bem como realizamos a gestão de resíduos internos de loja. A conscientização sobre o desenvolvimento sustentável é ainda um desafio não só para a companhia como de toda a sociedade.

 “O GPA é consciente do seu papel em responsabilidade social e, por isso, contamos com projetos de doação de alimentos e gestão de resíduos internos”

Quais os principais projetos do GPA para este ano em relação à sustentabilidade?

O Grupo GPA conta com vários projetos de sustentabilidade, mas destaco três:

Venda de produtos a granel: cerca de um terço do lixo doméstico gerado pelos brasileiros é composto por embalagens e, desse total, 80% são descartadas depois de serem usadas uma única vez. O Pão de Açúcar, com base nessa estatística, desenvolveu um projeto que incentiva o consumo consciente e o reúso de embalagens. São 40 tipos de produtos a granel, entre grãos, sementes, cereais, chocolate, chás, pimentas, amendoins, sal do himalaia e frutas desidratadas.

Venda de orgânicos: alinhado ao propósito de incentivar uma atitude sustentável, o Pão de Açúcar reconhece, há mais de 20 anos, a importância dos orgânicos para a saúde do consumidor e para a preservação ambiental. A companhia realiza um trabalho pioneiro no grande varejo em orgânicos, oferecendo produtos em diferentes categorias e com espaços próprios para isso em suas lojas. Taeq, marca própria da rede para alimentação saudável, conta com aproximadamente 250 itens orgânicos em linha. A rede também realiza a venda de orgânicos pelo e-commerce e no Minuto Pão de Açúcar, loja de vizinhança da marca.

Eficiência energética: o GPA e a GreenYellow renovaram em 2016 os sistemas de iluminação e refrigeração de 178 supermercados Extra e Pão de Açúcar e 5 centros de distribuição no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Região Nordeste. Três ações fazem parte do projeto: a instalação de portas para o fechamento de balcões e ilhas de frio (freezers); a automatização de processos, com novas regulagens, para o ar-condicionado das lojas; e a troca da iluminação por lâmpadas que consomem menos energia. O resultado é uma economia de cerca de 25% no consumo de cada unidade.   

Vocês também contam com PEVs para pilhas e baterias e medicamentos. Estes materiais são altamente tóxicos ao meio ambiente, porém poucas pessoas sabem disso e quase não há lugares adequados para o descarte correto. O que falta para que a indústria tome uma atitude em relação a esses resíduos?

Para estes resíduos grande parte da indústria que produz importa e vende já tem criado projetos para coleta e destinação final adequada. O que ajuda é que acordos setoriais específicos já foram assinados para que a gestão destes resíduos aconteça. O GPA, por exemplo, participa da discussão destes acordos setoriais e mantém coletores de pilhas em 100% de suas lojas, bem como uma parceria com a Eurofarma para a coleta de medicamentos vencidos e suas embalagens nas drogarias Extra.

De que forma a indústria de varejo pode atuar para conscientizar e aprimorar a questão do gerenciamento dos resíduos no Brasil?

A reciclagem e destinação correta dos materiais é possível por meio da educação ambiental, comunicação direta com os clientes e cedendo espaço para a indústria através de parcerias. Desta forma é possível fomentar a gestão de resíduos no País e ajudar na construção de uma sociedade mais colaborativa e consciente.

 “O GPA e a GreenYellow renovaram os sistemas de iluminação e refrigeração de 178 supermercados e centros de distribuição. O resultado é uma economia de cerca de 25% no consumo de cada unidade”

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