07 de Novembro de 2025,10h00
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A guerra comercial entre Estados Unidos e China reacendeu a disputa por metais recicláveis, provocou uma corrida global à sucata de alumínio e afetou diretamente o desempenho da Novelis, maior recicladora do material no mundo.
A tarifa imposta pelo presidente Donald Trump elevou os preços da sucata e reduziu a oferta no mercado internacional, uma mudança que ameaça as metas ambientais e o plano de descarbonização da empresa de zerar emissões até 2050.
Para se ter uma ideia do tamanho da operação, na planta de Pindamonhangaba (SP), referência global em reciclagem, chegam diariamente cerca de 80 cargas de alumínio e recicláveis, principalmente latas compactadas vindas dos 14 centros de coleta espalhados pelo país.
A unidade processa 720 mil toneladas de alumínio por ano, sendo 500 mil de materiais reciclados. No geral, o índice fica na casa de 80% de conteúdo reciclado em suas chapas produzidas no Brasil. O objetivo é elevar esse número para 85% até 2030.
Segundo Elizabeth Shie, gerente-executiva de estratégia e sustentabilidade da Novelis, o avanço no percentual de material reciclado é um desafio constante. “Parece que é pouco, mas é como escalar o Everest. O mais difícil é quando você está chegando ao topo”, explica.
Já Francisco Carvalho, vice-presidente de operações da Novelis na América Latina, informa que China e Estados Unidos lideram a busca por material reciclável, pressionando países emergentes. “Para o Brasil, é estrategicamente péssima a redução da oferta”, lamenta Carvalho.
Na prática, produzir uma latinha reciclada consome 95% menos energia elétrica e emite 95% menos gases de efeito estufa em comparação ao alumínio primário.
Além disso, o custo de produção é 30% menor, fator que reforça o papel estratégico da reciclagem para a construção de um modelo global de economia circular.
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