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Entenda como funciona a reciclagem de pneus

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Pneus demoram cerca de 600 anos para se decompor. Foto: John And Penny/shutterstock.com

A vida útil de um veículo automotivo pode ser medida em quilômetros. Depois de certa quantidade de trechos rodados, o automóvel perde algumas de suas características originais e começa a apresentar problemas de desgaste. Entre os resíduos que o veículo produz ao ser descartado, os pneus podem ser considerados os principais – daí a importância da reciclagem desses produtos.  

Não há necessidade de jogar os pneus em aterros, já que ocupam muito espaço e demoram cerca de 600 anos para se decompor. Além disso, ao ser queimado, o pneu libera uma fumaça com alguns tipos de poluentes prejudiciais à qualidade do ar, como carbono e enxofre. Se descartado em rios, o produto dificulta o fluxo da água. Por isso é importante que exista um destino correto.

Desde 1999, há, inclusive, uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente que pede que as indústrias brasileiras de pneus ofereçam destinação adequada e ambientalmente correta aos pneus usados que não servem mais – ou seja, que não têm como serem reciclados.

A maioria dos pneus velhos é reformada e retorna à sua fábrica de origem. Depois da coleta, o aço é retirado dos pneus inservíveis e eles são, então, triturados e encaminhados para empresas que produzem materiais a partir da borracha em pequenos pedaços.

A partir daí este produto pode ser transformado em diversos objetos, dos mais variados setores, tais como solas de sapato, percintas (usadas na estrutura de móveis estofados), asfalto, tijolos de concreto, matéria-prima para produção de energia na indústria de cimento, entre outros.

De acordo com dados de 2016 da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), de cada 100 pneus descartados no Brasil, aproximadamente 55 são levados de volta pelos proprietários para uso como estepe o ou qualquer outro fim. Os 45 restantes vão parar em postos de coleta por não terem mais condição de uso. Destes, 67% são utilizados como combustível alternativo em fornos do setor de cimento. Os outros 33% vão para reciclagem e dão origem a produtos como grama sintética, pisos de quadras esportivas e tapetes de automóveis.

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Piso feito de restos de pneus. Foto: zzphoto.ru/shutterstock.com

Formas alternativas de reciclagem de pneus

Em projetos distintos de pesquisa, a Universidade Federal do ABC (UFABC) e a Universidade de São Paulo (USP) criaram novos destinos para os milhões de pneus desprezados por ano no Brasil. De acordo com dados de frota do Departamento Nacional de Trânsito Brasileiro – DENATRAN, este número chega a 193.580.990 de pneus descartados se considerarmos que um veículo roda, em média, 20 mil km por ano e, a cada dois anos, todos precisam trocar seus quatro pneus (dois por ano).

Em parceria com a Mercedes-Benz do Brasil, a aluna de doutorado em Nanociências e Materiais Avançados da UFABC, Kelly Cristina de Lira Lixandrão, desenvolveu um compósito obtido de pneus triturados - polipropileno e pó de borracha - para ser utilizado no encapsulamento de motores de automóveis. “Nosso objetivo é simultaneamente diminuir a quantidade de carcaças de pneus depositadas em locais impróprios e reduzir a poluição sonora e do ar, evitando que sejam queimados a céu aberto e liberem substâncias tóxicas”, explica seu orientador, o físico Fabio Furlan Ferreira, do Centro de Ciências Naturais e Humanas (CCNH) da UFABC, no estudo da Revista Pesquisa, da FAPESP.

De acordo com o físico, o material desenvolvido durante a pesquisa é 53% mais leve e 20% mais barato do que o utilizado atualmente, já que parte de sua composição é de polipropileno reciclado (material plástico duro). O protótipo também foi criado de forma que gerasse uma única peça de fácil fixação no veículo, sem a necessidade da utilização de cintas metálicas. Desta forma, é possível diminuir ainda mais seu custo.

Já o estudo da USP, de autoria do químico Clodoaldo Saron em parceria com o professor Sebastião Ribeiro e com o doutorando Diego David Pinzón Moreno, levou ao desenvolvimento de uma outra forma de aproveitar pneus usados em novos tipos de cimento. Para isso, foi criado um concreto com partículas de borracha de pneu misturadas com areia. De acordo com Saron, a nova alternativa ao concreto padrão da indústria poderia ter variados usos na construção civil, como nas calçadas, por exemplo. “Ele pode absorver melhor o impacto durante uma caminhada, proporcionar maior conforto e reduzir os riscos de lesões”. “Sua maior capacidade de deformação poderia ser útil também em calçadas arborizadas, reduzindo rachaduras do pavimento causadas pelas raízes das árvores”.

Reciclagem de pneus: entenda as técnicas utilizadas

As maneiras de reciclar pneus dependem, é claro, de cada empresa. Veja abaixo algumas delas:


Reciclagem Mecânico-Químico

É a combinação do processo químico e da moagem, que consegue devulcanizar os resíduos de um pneu. A partir dos pneus reciclados, diversos produtos podem ser produzidos – como já citado anteriormente – incluindo solas de sapatos, asfalto, tapetes de automóveis etc.


Reciclagem de Microondas

Este método de reciclagem consiste em converter o pneu usado em suas matérias originais, incluindo gasolina diesel, metal e carvão preto. Algumas das vantagens deste processo são seu baixo custo e a possibilidade de criar novos pneus utilizando aqueles descartados.


Reciclagem de Ultrassom

Neste processo, um poderoso ultrassom é aplicado na borracha enquanto ela é extrudida (ou seja, submetida a um processo mecânico de produção de componentes de forma contínua e forçada através da matriz para adquirir sua forma pré-determinada). Com isto, a borracha depois de extrudida fica extremamente macia e se transforma em um novo material, que pode ser moldado para a produção de novos produtos de borracha.


Pyrolysis

Neste método, o pneu usado é aquecido em um forno fechado, sem oxigênio. Este ambiente derrete o pneu até ele voltar a se transformar em sua matéria original. Existem diversas maneiras de derreter o pneu e, dependendo de como ocorre o aquecimento, diferentes subprodutos podem ser gerados. A maneira eletromagnética – que também é a mais inovadora – produz objetos de metal, gás e óleo artificial

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Pyrolysis de Pneu. Foto: Aleks Kend/shutterstock.com

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