Seminário sobre economia limpa

Unibes. Foto: Wikipedia communs

Especialistas compartilham práticas ambientais

23/09/2018

A Folha de S. Paulo, em parceria com a Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio) e a Novelis, empresa de alumínio industrial, organizou o 3º Seminário sobre Economia Limpa no teatro da Unibes Cultural, em São Paulo. O evento trouxe especialistas, políticos, ativistas e acadêmicos que trabalham para um desenvolvimento econômico mais sustentável.

O seminário abordou as áreas que estão se esforçando para uma gestão mais correta do meio ambiente. Os palestrantes compartilharam suas experiências com o público no evento, incluindo o Recicla Sampa que cobriu a ação. O fórum foi dividido por quatro assuntos: Política tributária ambiental; competitividade entre energias renováveis e convencionais; a atual situação dos rios e mares do país e a prática e evolução da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Sobre a PNRS, o seminário retratou o esforço para sua implementação, a possibilidade de a política ser adotada de forma mais rápida e ainda alguns avanços já obtidos. Existe, por exemplo, uma parcela de indústrias, instituições e órgãos que já começam a seguir suas diretrizes e incorporar ações ambientais em sua gestão.

Até chegar à plenitude de uma boa gestão é um longo caminho para se percorrer, mas mesmo assim existem setores no Brasil que já funcionam de um modo que reaproveitam todas as embalagens, tomam como base o que está indicado na PNRS e transforma o resíduo em poder monetário.

Imagem - Plantação de soja. Foto: Fotokosti/shutterstock.com

Plantação de soja. Foto: Fotokosti/shutterstock.com

Práticas que dão certo

Exemplos de boas medidas também foram abordados. Alguns dele podem ser encontrados no setor agrícola brasileiro, que recicla embalagens plásticas usadas para armazenar os produtos utilizados nas plantações. De acordo com João Cesar Rando, diretor-superintendente do Inpev (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), órgão criado por fabricantes de defensivos agrícolas, mais de 1,4 milhão de propriedades rurais fazem a devolução dos produtos vazios. “Todos os elos da cadeia agrária participam dessa logística reversa”, explicou.

O time dessa logística é grande. Estão envolvidos os 112 fabricantes de produtos de agrotóxicos e a cadeia da distribuição com mais de 4.500 vendedores, distribuidores e cooperativas. Toda essa equipe se juntou e formou 267 associações que ajudam a administrar essa ação. “Também promovemos mais de 5 mil pontos de recebimentos itinerantes, buscando facilitar para o pequeno agricultor a devolução de suas embalagens”, enfatizou.

Rando considera que já existe uma economia circular no setor. Tudo começa quando o caminhão chega com a embalagem vazia usada e se produz uma nova a partir do material que voltou. Depois, ela vai para a prateleira, é comprada pelo agricultor, usada no campo e colocada no ecoponto. “O trabalhador rural não precisa nem se preocupar se deixou sobrar algum líquido dentro da embalagem, pois nós também damos uma destinação correta para ele”.

O resultado de todo esse sistema foram 480 mil toneladas de embalagens vazias que foram recebidas e recicladas pelo Inpev de 2002 até 2018. Isso corresponde ao peso de dois navios cruzeiros que deixaram de ter um destino e futuro incorreto no meio ambiente.

“Além disso, com essa ação nós geramos mais de 2 mil empregos dentro do sistema e descobrimos uma grande força de preservação ambiental dentro da cadeia produtiva e consumidora. Olha o que uma embalagem retornável pode fazer”, finalizou.

O consumidor é quem manda

Uma antiga medida sustentável foi lembrada durante o encontro, quando as pessoas levavam garrafas de vidro retornáveis para comprar refrigerantes. Esse tipo de relação comercial, tão frequente na época, foi citada pelo vice-presidente de suprimentos e sustentabilidade da Ambev, Rodrigo Figueiredo, na mesa de debate. Com o tempo, o consumidor abandonou, até recentemente, as embalagens retornáveis, mesmo com os benefícios financeiros que elas traziam.

Porém, a volta das embalagens reutilizáveis marca uma nova tendência de consumo. Ela não prioriza mais o melhor preço e sim uma atitude ambiental contra o desperdício de plástico do consumidor.

Querendo se adaptar à nova realidade ditada pela sociedade, a Ambev produz todas as garrafas de Guaraná com embalagem 100% de origem reciclada.

“Nós criamos uma aceleradora com universitários e empresas novas no processo de pesquisa e produção de embalagens mais sustentáveis. Vários cérebros juntos são mais eficazes para transformar o mundo ”, enfatizou.

Lixo é dinheiro

Para Luis Fernando Barreto, promotor de Justiça e presidente da Abrampa (Associação Brasileira de Veículos Elétricos) e o último a debater no evento, é preciso que as empresas façam um planejamento de suas embalagens desde a sua concepção até a sua volta como “usada” na fábrica, a fim de um melhor reaproveitamento.

Com esse planejamento das empresas é possível ajudar a erradicar o grande mal do Brasil apontado na Política Nacional dos Resíduos Sólidos: os lixões. Adepto da cultura lixo zero, onde a sociedade é incentivada a gerar menos lixo e ser responsável pela destinação correta dos seus resíduos, o promotor luta no Ministério Público (MP) para que se diminua a abertura de lixões irregulares, que não têm nenhuma fiscalização. Dessa forma, se garante um maior apoio para a logística reversa.

“O objetivo é a responsabilidade de cada um com o seu resíduo, seja população, fabricante ou consumidor” explicou.

Outro ponto que deve incentivar para o aumento da prática da reciclagem seria a uma nova forma de tributar os materiais feitos com peças reutilizadas. Por exemplo, deixar mais barato a fonte do reciclável para o produtor do que ele priorizar usar uma matéria virgem para a confecção de um produto. Consequentemente, nas prateleiras, o produto ficaria com um baixo valor. “Ficaria atrativo tanto para a indústria quanto para o consumidor”, finalizou.

Tags: matérias
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