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Maiores favelas de SP organizam hortas comunitárias

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Foto: @agrofavela_refazenda

Localizadas na zona sul da capital paulista, as duas maiores favelas da cidade, Heliópolis e Paraisópolis, agora contam com hortas comunitárias onde são cultivadas dezenas de espécies de hortaliças e frutas.

Batizado de AgroFavela Refazenda, o projeto é resultado de uma parceria entre o Instituto Stop Hunger e a Sodexo, gigante do ramo da alimentação, com o G 10 Favela, grupo de representantes das dez maiores comunidades do Brasil.

A primeira favela a receber a horta foi a famosa Paraisópolis. Inaugurado em outubro do ano passado, o espaço tem 900 m² e conta com vasos em boxes e canteiros. Sua capacidade de produção é de 960 pés de 60 espécies diferentes, dependendo, claro, das condições climáticas.

No começo do ano, a Stop Hunger divulgou o primeiro relatório de produção. De acordo os números, foram colhidos 300 quilos de hortaliças entre outubro e dezembro do ano passado. Toda colheita foi doada aos moradores e ao projeto Mãos de Maria, que distribui marmitas gratuitamente na região. Mais de cinco mil pessoas foram impactadas direta e indiretamente.

Presidente do Stop Hunger no Brasil, Andreia Dutra conta que um dos objetivos da AgroFavela é difundir a ideia de fazendas urbanas e adaptar o conceito à realidade de comunidades como Paraisópolis. “Podemos explorar as possibilidades, com hortas verticais, com a utilização de espaços como as lajes e canteiros”, explica Dutra.

Já o projeto em Heliópolis foi anunciado recentemente e será um pouco diferente, com a implantação de um modelo de horta vertical e de um sistema hidropônico de cultivo. A parede produtiva terá 19 metros, com capacidade de 750 plantas em cada ciclo. Neste primeiro momento, serão cultivadas 15 espécies de hortaliças.

Segundo a equipe da G10 Favelas, o objetivo é levar a iniciativa à mil lajes em diferentes cidades do Brasil no menor tempo possível. O projeto também pretende promover a conscientização e reduzir o desperdício de alimentos, enquanto ensina e estimula os moderadores, principalmente as mulheres, a criarem suas próprias hortas no quintal de casa.

“A melhor forma de apoiar a população neste momento é oferecer condições para que as pessoas tenham alimentação saudável”, opina Gilson Rodrigues, Coordenador Nacional do G10 Favelas. “Levando a horta para dentro das casas das pessoas, o projeto AgroFavela possibilita o acesso das famílias de baixa renda à comida barata e de qualidade”, concluí o líder comunitário de Paraisópolis. 

Texto produzido em 10/03/2021 


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