29 de Julho de 2026,10h00
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Uma montanha com mais de 60 mil toneladas de roupas descartadas, visível até do espaço, transformou o deserto do Atacama, no norte do Chile, em um dos maiores símbolos da crise global do lixo têxtil.
O problema voltou a chamar a atenção após novas imagens de satélite mostrarem a dimensão do acúmulo de resíduos na região de Alto Hospício.
A repercussão internacional começou em 2024, quando imagens do aterro têxtil viralizaram nas redes sociais e na imprensa.
Desde então, o local passou a representar os impactos do consumo acelerado de roupas e do descarte inadequado de peças usadas em todo o mundo.
Grande parte dessas roupas chega ao Chile pela Zona Franca de Iquique, um dos principais centros de distribuição de produtos importados da América do Sul.
As peças, em sua maioria vindas da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia, abastecem o mercado de segunda mão em diversos países latino-americanos.
O problema começa quando parte desse material não encontra compradores. Roupas sem valor comercial, fora de moda, danificadas ou em mau estado acabam levadas para terrenos no deserto, onde permanecem por anos.
Como não existe um sistema eficiente para reaproveitar esse volume, o acúmulo cresce continuamente e a responsabilidade pelo descarte acaba sem um responsável definido.
Além do impacto visual, o lixão provoca graves consequências ambientais. A Organização das Nações Unidas (ONU) classifica a situação como uma emergência ambiental e social, agravada pelos frequentes incêndios no local.
A fumaça liberada pela queima dos tecidos compromete a qualidade do ar e afeta diretamente a saúde dos moradores de Alto Hospício.
Diante da repercussão internacional, o governo chileno prepara um plano de recuperação ambiental para a região.
Entre as medidas previstas estão a responsabilização dos importadores pelas roupas que entram no país e o incentivo ao reaproveitamento e à reciclagem de resíduos têxteis, na tentativa de impedir que novos volumes tenham o mesmo destino.
Em entrevista à agência AFP, o prefeito de Alto Hospício, Patrício Ferreira, resumiu o sentimento da população diante do avanço do lixão: "Temos a sensação de que nossa terra foi sacrificada. Somos o lixo do mundo."
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