RECICLA ENTREVISTA: ÉLBIA GANNOUM, PRESIDENTE DA ABEEÓLICA

Parque eólico em Osório, São Paulo. Foto: dgarkauskas / flickr.com

Brasil avança no ranking mundial de energia eólica

12/04/2018

Imagem - Usina eólica em Pedra do Sal, Piauí. Foto: Luciano Queiroz/shutterstock.com

Usina eólica em Pedra do Sal, Piauí. Foto: Luciano Queiroz/shutterstock.com

O Brasil subiu mais uma posição no Ranking de capacidade instalada de energia eólica e agora ocupa o oitavo lugar. Elaborada pelo GWEC – Global World Energy Council, a pesquisa foi divulgada no “Global Wind Statistics 2017”, documento anual com dados mundiais de energia eólica que mostra que, em 2017, foram adicionados 52,57 GW de potência eólica à produção mundial, totalizando 539,58 GW de capacidade instalada. O gráfico abaixo mostra o crescimento mundial desde 2001:

Imagem - Fonte: GWEC

Fonte: GWEC

Confira na íntegra a entrevista com Élbia Gannoum – Presidente da ABEEólica – Associação Brasileira de Energia Eólica:

A posição do Brasil no ranking mundial é consistente?

O Brasil vem galgando posições no Ranking Mundial de Capacidade Instalada Total de Energia Eólica de forma consistente. Em 2015, nós entramos no Ranking em 10º lugar e, desde então, subimos uma posição por ano, o que consolida nossa performance.

E porque caímos no ranking de capacidade instalada no ano?

Neste ranking, o que conta é o resultado específico do ano, então há bastante variação. Em 2012, por exemplo, estivemos em oitavo lugar e em 2015, ano de instalação recorde até agora para nós, estivemos em quarto lugar. A tendência é que a gente ainda oscile mais, visto que em 2019 e 2020 nossas instalações previstas são menores porque ficamos sem leilão por quase dois anos no período 2016/2017, o que vai se refletir no resultado de 2019 e 2020.

Os ventos no Brasil ajudam?

Temos hoje uma capacidade instalada que está quase chegando aos 13 GW, com mais de 500 parques eólicos e chegamos a abastecer 11% do País e mais de 60% do Nordeste, na época que chamamos de “safra dos ventos”, que vai mais ou menos de junho a novembro. Nos últimos anos, e especialmente no ano passado, as eólicas salvaram o Nordeste de um racionamento em tempos de reservatórios baixos e com bandeira vermelha. O Brasil tem um dos melhores ventos do mundo do mundo para produção de energia eólica e nosso fator de capacidade, que é a medida de produtividade do setor, passa do dobro da média mundial. Além disso, temos uma cadeia produtiva 80% nacionalizada, que investe e gera empregos aqui. No ano passado, por exemplo, foram cerca de 30 mil postos de trabalho. Todos estes dados são prova de um setor que vem mostrando sua maturidade.

E o futuro?

Até 2020, considerando apenas os contratos assinados e leilões já realizados, vamos chegar a 18,63 GW. Com novos leilões, esse número ainda vai crescer. Importante lembrar que, hoje, as eólicas são a opção mais competitiva de contratação, conforme resultado do último leilão, realizado em dezembro de 2017.

Quais os outros benefícios da energia eólica no Brasil?

Podemos resumir os benefícios da seguinte forma: é renovável; não polui; possui baixíssimo impacto ambiental; contribui para que o Brasil cumpra o Acordo do Clima; não emite CO2 em sua operação; tem um dos melhores custos benefícios na tarifa de energia; permite que os proprietários de terras onde estão os aerogeradores tenham outras atividades na mesma terra; gera renda por meio do pagamento de arrendamentos; promove a fixação do homem no campo com desenvolvimento sustentável; gera empregos que vão desde a fábrica até as regiões mais remotas onde estão os parques e incentivam o turismo ao promover desenvolvimento regional.

Sobre a ABEEólica

A ABEEólica congrega mais de 100 empresas de toda a cadeia produtiva do setor eólico e tem como principal objetivo trabalhar pelo crescimento, consolidação e sustentabilidade dessa indústria no Brasil.

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