06 de Novembro de 2019,13h00
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Foi pintando e reformando carroças, carrinhos, kombis e caminhões de catadores de resíduos que o ativista Mundano, como gosta de ser chamado – mantendo em sigilo sua identidade -, ficou conhecido no mundo da reciclagem. Tudo começou com sua ONG Pimp My Carroça, onde passou a ter um contato rotineiro com coletores que praticam seu trabalho de maneira independente nas ruas de São Paulo. Depois, motivado pelo desejo de solucionar o problema do descarte incorreto do lixo na maior cidade do país, criou o aplicativo Cataki.
“As pessoas, quase que diariamente, pediam contatos de catadores e cooperativas porque elas não eram atendidas pelo poder público e queriam destinar corretamente seus resíduos em busca da economia circular”, contou.
Disponível gratuitamente para celulares Android e iPhone (iOS), o aplicativo funciona de forma muito simples: a ferramenta mapeia as áreas de atuação dos catadores e oferece ao usuário o contato dos que estão mais próximos. O sistema ainda disponibiliza a biografia, foto de perfil, telefone de contato e os tipos de material que o colaborador recolhe. “Sabemos que muitos profissionais da reciclagem conseguiram clientes fixos graças ao Cataki”.
Hoje, o aplicativo conta com 2.067 catadores registrados em 412 cidades do Brasil. De acordo com o fundador, o número de interessados em baixar o aplicativo, tanto de catadores quanto de usuários, cresce organicamente e contabiliza cerca de 150 mil downloads. “Esse número aumenta principalmente quando a tecnologia ganha pauta na mídia ou bomba nas redes sociais”.
Para se ter uma ideia, uma postagem feita por uma usuária em uma rede social elogiando o aplicativo viralizou e deu enorme visibilidade à ferramenta.
“Tivemos cerca de 30 mil downloads em um único dia”, comemora Mundano.
Apesar de não ter o apoio de órgãos públicos, a fama do aplicativo fez com que ele fosse reconhecido até mesmo fora do Brasil. A tecnologia conta com premiações internacionais, como Netexplo Digital Innovation Award e Grand Prize 2018 Netexplo Digital Innovation Award, ambos da Unesco, e o 2019 Chivas Venture – People’s Choice Award.
“A reciclagem é tanto uma demanda real da população quanto a fonte de renda dos catadores, por isso que o aplicativo viralizou e hoje é o maior mapeamento de catadores do nosso país”.
Financiado pela OAK Foundation e pelo Instituto PDR, além de contar com o apoio de algumas empresas, sendo uma delas a multinacional Nestlé, a ferramenta não fica com nenhum valor da renda gerada pelas coletas. Segundo Mundano, a alta procura tem proporcionado aos catadores um aumento expressivo na renda, relatado pelos próprios profissionais.
O mapeamento geográfico do aplicativo também demonstra que os catadores estão se deslocando menos e gerando uma arrecadação financeira maior. Para mensurar o impacto do aplicativo na vida dos catadores, o Cataki está desenvolvendo uma pesquisa com a Move Social, consultoria para programas e políticas sociais.
“Temos recebido inúmeras mensagens maravilhosas de catadoras e catadores relatando o aumento expressivo nos ganhos. Esse retorno é nosso combustível”.
Mundano pretende criar uma nova versão mais completa e eficaz para que mais catadores estejam conectados a mais usuários. O objetivo é também o de atender empresas, empreendimentos e órgãos de administração pública.
O ativista também quer desenvolver uma função que permite que os trabalhadores possam incluir números diários de trabalho, como quantidade e tipo de material coletado e valores recebidos. O objetivo é criar um banco de dados que construa uma base para pesquisas mais aprofundadas sobre a importância da logística reversa e o trabalho indispensável dos catadores no processo da coleta seletiva.
“O Cataki é um aplicativo criado para todos que desejam destinar seus resíduos de maneira correta, contribuindo com a renda de catadores e impactando positivamente o meio ambiente”.
Para baixar o aplicativo, clique aqui.
Texto produzido em 05 /11 /2019
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