Com descarte correto, bitucas podem ser recicladas

22/11/2021

Imagem - Bitucas de cigarro. Foto: Victoria Schaal/Shutterstock.com

Bitucas de cigarro. Foto: Victoria Schaal/Shutterstock.com

Pequenas em tamanho, mas grandes em números em relação à substâncias tóxicas. Não é novidade que a bituca de cigarro é um resíduo que polui o solo, as águas, entope vias fluviais e é visto como um dos principais poluentes do oceano.

Os resíduos formados pelos pequenos itens são gerados em enormes quantidades especialmente nas grandes capitais. O termo para designá-los é microlixo – e seu destino, além dos aterros sanitários, também são os rios e praias da região. 

Cerca de 4,5 trilhões de bitucas de cigarro são descartadas por ano. Só em São Paulo, 14 milhões de bitucas são espalhadas pela cidade a cada 24 horas, de acordo com levantamento feito pela Câmara dos Vereadores de São Paulo.

No Brasil, após a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), todos os resíduos devem ter destinação ambientalmente adequada. Apesar das bitucas não serem mencionadas no texto da Lei, elas podem, devido às suas características, serem classificadas como sedimentos perigosos. 

Para ajudar a minimizar o impacto que esse pequeno componente gera ao meio ambiente, alternativas sustentáveis buscam maneiras de minimizar seus efeitos e algumas empresas promovem a sua reciclagem no Brasil.

Afinal, as bitucas também entram na categoria de lixo reciclável e já existem algumas tecnologias bem interessantes no setor.

Mas é muito importante destacar: bitucas não devem ser descartadas no lixo reciclável, junto aos resíduos secos. Você precisa encontrar um ponto de coleta adequado.

Bituca transformada em papel

Em busca de oferecer soluções ambientais integradas com serviços e produtos para o tratamento de resíduos de cigarro, a empresa paulista Poiato Recicla realiza o gerenciamento de resíduos, desde a coleta, transporte, reciclagem e descarte final, com duas linhas principais de trabalho. 

Com uma usina de reciclagem de bitucas, em parceria com a Universidade de Brasília, foi criado um processo inovador para coletar e transformar bitucas em massa celulósica que podem ser utilizadas desde a criação de artesanato até papelão para indústrias. Com isso, podem ser feitos blocos, agenda, peças de artesanato. 

Bituca vira composto orgânico

Para ajudar a conter o impacto ambiental causado pelas bitucas,  a empresa Coletor Ambiental desenvolveu um sistema de gerenciamento para todas as etapas do processo de coleta e destinação correta deste tipo de resíduo.

Após isso, é feita a coleta do material, que é enviado para a Conspizza, uma usina de reciclagem parceira do projeto e instalada no Paraná.

A última fase é a transformação das bitucas em um revestimento vegetal para o solo, que misturado a outros componentes e sementes transforma-se em grama. Esse composto orgânico é plantado em encostas para protegê-las da erosão.

Nessa iniciativa, todos os componentes das bitucas são reaproveitados, como o filtro, por exemplo, é transformado em algodão e serve como uma camada para a aplicação do fertilizante no terreno.

Bituca vira fonte de renda

Para estimular o processo de sustentabilidade na cidade, o projeto de reciclagem de bitucas de cigarro da Prefeitura de Caraguatatuba, litoral norte de SP, começou a disponibilizar capacitação para utilizar o material como fonte de geração de renda.

Em pouco mais de dois meses de atuação, o projeto coletou mais de 17 mil bitucas que foram destinadas à entidades sociais.

O lixo reciclável é utilizado em projetos de artesanato com a população. O foco é a geração de renda com a confecção de enfeites, blocos de nota e cadernos.

Como descartar corretamente

A melhor orientação para o fumante é que ele procure pontos com coletores ou bituqueiras para descarte correto, ou prefira as lixeiras comuns.

Mesmo na categoria de lixo reciclável, as bitucas precisam ser descartadas separadamente, afinal, elas contém componentes que podem contaminar os outros resíduos.

Antes de descartar, é importante apagar a bituca no próprio alumínio da boca da lixeira, para evitar possíveis acidentes. 

Outra alternativa é carregar o próprio cinzeiro portátil, no caso da ausência de uma lixeira próxima. O movimento Mundo SEM Bitucas ensina em suas oficinas como fazer um com

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