Como a reciclagem têxtil pode contribuir com a sustentabilidade do país?

16/10/2020

Imagem - Representante da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) avalia que cenário pós-pandemia trará desafios para o setor. Foto: Freepik

Representante da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) avalia que cenário pós-pandemia trará desafios para o setor. Foto: Freepik

A pandemia mudou algumas áreas pelo mundo, com o setor de reciclagem de tecidos não foi diferente. Em um bate papo com o Recicla Sampa, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Rafael Cervone Netto fala sobre o futuro do setor têxtil no país em um cenário pós-pandemia, avalia como a reciclagem do país pode contribuir para a sustentabilidade do Brasil e revela dados econômicos do setor. Confira!

 

Qual o cenário da reciclagem de tecidos no Brasil?

Para se ter uma ideia do panorama, o país produziu cerca de 8,9 bilhões de peças ao total, em 2018, incluindo vestuário, cama, mesa, banho, meias e outros itens. Desse montante, 5,1 bilhões correspondem a roupas. É um setor que movimentou cerca de 50 bilhões de dólares de faturamento. Tanto potencial na indústria têxtil resulta na geração de aproximadamente 160 mil toneladas de resíduos por ano no país. Isso antes da pandemia. Também estimávamos que 50% poderiam ir para reciclagem.


Como a ABIT avalia a reciclagem de tecidos no país? É necessária alguma melhoria?

O cenário da reciclagem têxtil foi mudando nos últimos 10 anos, assim como foi melhorando a diminuição de gastos energéticos e de recursos naturais nos últimos anos para a produção de peças. Por exemplo, há 10 anos, era necessários cem litros de água para se confeccionar um quilo de denim (um tipo de tecido). Hoje, não existe mais tanto desperdício. Atualmente, com muita tecnologia é possível minimizar os gastos, hoje a água que tinge as roupas pode ser reaproveitada.  

Hoje em dia, uma roupa precisa ser fabricada já se pensando no destino final que ela terá, seja como upcycling, virando outro produto, ou desfibrada para voltar para o processo de produção como fibra e sendo reaproveitada na indústria automobilística como forro para bancos, por exemplo.

Nos tempos de hoje, o processo de reciclagem do tecido também foi aprimorado. Existem dois tipos de reciclagem: a mecânica e a física. Os dois processos agregam tecnologias que têm como objetivo reaproveitar o tecido. A mais comum é a mecânica, onde se transforma restos de tecidos em fardos para enchimento de ursos de pelúcia, de materiais esportivos como sacos de boxe e outros.


Quantas empresas recicladoras de resíduos têxteis existem no país?

Sei que existem 10 de grande porte no país.


Existe algum exemplo de empresa que preza pela sustentabilidade na produção de roupas no Brasil?

A Dudalina faz o corte da peça e já calcula quanto de tecido pode ser desperdiçado. Com essas sobras, eles utilizam para atuar na área social. Ela capacitou uma comunidade para fazer fuxicos e a partir disso são produzidos sacos, bolsas, colchas e outros produtos.


Qual o cenário que a ABIT prevê para o pós-pandemia?

O setor se reinventou, as empresas começaram a produzir máscaras e roupas especiais contra a Covid-19. Hoje temos fabricantes produzindo tecidos anti-Covid no interior de São Paulo e no Rio de Janeiro. Acho que o futuro é a aposta em um tecido que contém um elemento chamado grafeno. Ele é resistente, tem 1/7 do peso ar, então ele é extremamente leve. Além disso, ele é condutor de energia e calor, então é um elemento que trará tecnologias para as indústrias têxteis. Inclusive ele tem alto poder de filtragem e pode combater bactérias e vírus.

Texto produzido em 28/09/2020

Tags: entrevistas
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