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Empreendedor transforma máscaras em tijolos na Índia

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De acordo com a American Chemical Society, cerca de 129 bilhões de máscaras são usadas todos os meses no mundo. A maior parte delas acaba em lixeiras comuns e tem como destino final os aterros sanitários ou a incineração.

Uma outra parte acaba descartada nas florestas, rios e oceanos. Esse dado impressionante e seu consequente impacto ambiental desafiam há mais de um ano os grandes centros de pesquisa a desenvolverem novas tecnologias de reciclagem e o pessoal anda empenhado em encontrar boas soluções.

Recentemente, o indiano Binish Desai, um empreendedor social de 27 anos, conhecido como "Homem Reciclagem", encontrou uma utilidade bastante eficaz para os equipamentos de proteção individual contra a Covid 19: transformá-los em tijolos.

"Usar máscaras é o novo normal e as descartáveis são utilizadas aos bilhões todos os meses. Só que uma vez descartadas, eles vão para um aterro sanitário ou acabam no meio ambiente. Então pensei: porque não tentar incorporar isso aos meus tijolos ecológicos", disse Binish.

Há cerca de dez anos, Desai criou um modelo de tijolo produzido a partir de resíduos de papel, sobras de chiclete, aglutinadores e extratos orgânicos. Os novos tijolos, com as máscaras já incorporadas, são uma versão atualizada e melhorada dessa inovação e foram batizados de Bick 2.0.  

E essa nova versão, afirma o indiano, além de mais resistente e durável, tem o dobro do tamanho dos tijolos convencionais e sai pela metade do preço de mercado. De quebra, ainda ajuda a retardar o avanço do fogo em caso de incêndio e é 100% reciclável.

O Brick 2.0 respeita todos os protocolos sanitários em seu processos de produção. Sua composição é de 52% de PPE triturado e máscaras recicladas, 45% de papel e 3% de aglutinadores especialmente desenvolvidos para sua produção.

Vale destacar que no Brasil, infelizmente, ainda não temos nenhuma iniciativa para a reciclagem de máscaras e por enquanto devemos seguir descartando os materiais de proteção no lixo comum. Descartar as máscaras no lixo reciclável pode contaminar os coletores.

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Tijolo Brick 2.0 feito com 52% de PPE e máscaras trituradas. Foto: Divulgação.

Impacto Real

No último mês de setembro, um pinguim foi encontrado morto na praia de Juquehy, São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Depois de realizada a necropsia, a causa da morte foi determinada: o animal morreu depois de ingerir uma máscara médica descartada irregularmente na praia.

Segundo o Instituto Argonauta para Preservação Costeira e Marinha, responsável pelo resgate do corpo, o equipamento do tipo N-95 estava enrolado no estômago do Pinguim-de-Magalhães, espécie muito comum na costa brasileira.

“Trabalhamos com lixo marinho há 23 anos, sempre tentando educar e reabilitar os animais que apresentam problemas. Essa nova ameaça, infelizmente, chegou junto com a pandemia, que embora tenha reduzido o volume de lixo quando tirou as pessoas da praia, aumentou o risco de impacto com o descarte inadequado das máscaras”, afirma Hugo Gallo Neto, oceanógrafo e presidente do Instituto Argonauta.

 

Texto produzido em 28/6/2021


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