Engenheiros da USP desenvolvem nova tecnologia de energia eólica

17/09/2021

Imagem - A pipa de kitsurf foi usada como inspiração para o desenvolvimento do projeto

A pipa de kitsurf foi usada como inspiração para o desenvolvimento do projeto

Como uma alternativa mais moderna e barata para a energia eólica tradicional disponível no Brasil, dois engenheiros da USP e dois professores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) estão desenvolvendo um protótipo de uma tecnologia inédita no país.

Roberto Crepaldi e Leonardo Papais, formados na Escola Politécnica da USP, atuam desde junho de 2021 no projeto UFSCkite da universidade, que pesquisa a tecnologia Airborne Wind Energy (AWE) desde 2012.

O equipamento é semelhante à uma pipa e foi inspirado no esporte kitesurf. A nova tecnologia requer o uso de muito menos material que uma turbina tradicional de energia eólica e acaba sendo bem mais vantajosa economicamente.

Além disso, o AWE consegue alcançar altitudes muito maiores, onde as correntes de vento são mais fortes e constantes: entre 600 e 800 metros contra 120 metros da turbina convencional.

Como funciona

O funcionamento ocorre em duas fases. A primeira é a de geração, onde a pipa é lançada voando quase perpendicularmente ao vento.

Com isso, o cabo é puxado e enrolado em torno de um tambor conectado ao gerador. Conforme a corda é desenrolada, o tambor rotativo aciona o gerador e produz energia, que é injetada na rede elétrica.

A segunda etapa é a de recuperação, que é acionada quando o cabo atinge um determinado comprimento e a pipa é reconfigurada para produzir uma baixa força de tração nele.

Nesse ponto, o gerador funciona como um motor para enrolar o fio, com um gasto mínimo de energia da rede, para que um novo ciclo possa começar.

Como a energia necessária pelo motor da unidade de solo para puxar o cabo é só uma fração da produzida, cada ciclo termina com acúmulo de energia.

Empresas europeias como a Kitepower e a Skysails Power já estão testando versões mais avançadas da tecnologia.

Os engenheiros Roberto e Leonardo já tiveram reuniões com elas durante avaliações prévias da viabilidade para poderem implantar o modelo no Brasil.

Os dois esperam ter o protótipo finalizado até o final deste ano. A partir daí, poderão começar a buscar investimentos para iniciarem uma empresa e poderem comercializar o equipamento.

Texto produzido em 17/9/2021

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