17 de Julho de 2026,10h00
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Enchentes, ondas de calor e tempestades têm dificultado cada vez mais o trabalho dos catadores de materiais recicláveis no Brasil. Um estudo da organização internacional WIEGO mostra que os eventos climáticos extremos já comprometem a renda, a saúde e a segurança desses profissionais, considerados peças fundamentais para o avanço da reciclagem e da economia circular.
O levantamento monitorou a realidade de catadores em cinco capitais brasileiras e no Distrito Federal. Entre os principais problemas relatados estão a perda de materiais durante enchentes, a interrupção das atividades por causa das chuvas intensas e o aumento dos riscos provocados por temperaturas cada vez mais elevadas.
O cenário ganha ainda mais importância em 2026, ano marcado pela volta do fenômeno El Niño. Boletins divulgados por órgãos oficiais confirmam que o fenômeno já está estabelecido e apontam alta probabilidade de permanência até 2027, com potencial para intensificar extremos climáticos em diferentes regiões do país.
Para milhares de catadores, essas mudanças significam jornadas mais difíceis e menor produtividade. Além das perdas econômicas, o calor excessivo aumenta o risco de desidratação, insolação e outros problemas de saúde, enquanto temporais podem interromper a coleta e comprometer o funcionamento de cooperativas e centros de triagem.
A pesquisa também reforça que os catadores estão entre os trabalhadores mais expostos aos efeitos das mudanças climáticas, embora exerçam uma atividade essencial para reduzir a quantidade de resíduos enviados aos aterros sanitários, diminuir emissões de gases de efeito estufa e manter materiais em circulação na economia.
Diante desse cenário, os autores defendem investimentos em infraestrutura, equipamentos de proteção, áreas cobertas para triagem e políticas públicas voltadas à adaptação climática das cooperativas. Essas medidas podem aumentar a segurança dos trabalhadores e garantir a continuidade de um serviço essencial para as cidades.
O estudo reforça que fortalecer a reciclagem também significa proteger quem está na base dessa cadeia. Em um contexto de eventos climáticos cada vez mais frequentes, valorizar o trabalho dos catadores passa a ser uma estratégia importante não apenas de inclusão social, mas também de adaptação às mudanças do clima.
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