National Geographic: dados e evidências sobre o lixo plástico

02/07/2021

A poluição do lixo plástico tornou-se uma das questões ambientais mais urgentes para a humanidade, principalmente pela produção de produtos plásticos de uso único ​​superar a capacidade do planeta de lidar com eles.

É verdade que este tipo de poluição acaba mais aparente nos países em desenvolvimento da Ásia e da África, onde os sistemas de coleta de lixo costumam ser ineficientes ou inexistentes, mas os países do primeiro mundo também encontram problemas para coletar e reciclar os resíduos plásticos.

A questão do lixo plástico se tornou tão relevante e urgente que atualmente existem esforços pela implementação de um tratado global negociado pelas Nações Unidas.

Em 2019, na última reunião presencial da Assembleia Ambiental da ONU em Nairóbi, as negociações sobre resíduos plásticos foram dificultadas principalmente pelos Estados Unidos, que se opuseram a um tratado vinculativo. O único acordo ao qual se chegou foi o de continuar com as negociações.

Mas como chegamos a esse ponto?

Os plásticos como conhecemos, um subproduto da extração de combustíveis fósseis, foram criados há pouco mais de um século. Mas a produção e o desenvolvimento de milhares de novos produtos e embalagens plásticas ganharam um primeiro impulso após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Desde então, os plásticos revolucionaram a medicina, tornaram as viagens espaciais possíveis, iluminaram o caminho de automóveis e aviões, e salvaram milhões de vidas com capacetes, incubadoras e equipamentos para o armazenamento de água potável, transformando a era moderna de tal forma que a vida sem eles seria atualmente impensável e irreconhecível.

As conveniências e comodidades que os plásticos oferecem, no entanto, levaram à uma cultura do “consumir e descartar” que acabou por revelar uma face oculta e perigosa do seu ciclo de existência. Muitos desses produtos, como sacolas e embalagens de alimentos, têm vida útil de horas, algumas vezes de alguns minutos, mas podem demorar séculos para se decomporem no meio ambiente.

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O caminho do plástico no mundo

Praticamente todo o lixo plástico presente nos oceanos vem do descarte incorreto nos portos, praias e ilhas. Os resíduos também chegam aos mares pelos grandes rios, com suas correntezas funcionando como esteiras. Uma vez no mar, grande parte do lixo plástico permanece próximo das zonas costeiras.

Mas, uma vez capturado pelas grandes correntes oceânicas, os resíduos podem dar a volta ao mundo. Na Ilha de Henderson, um atol desabitado, isolado no meio do caminho entre o Chile e a Nova Zelândia, cientistas encontraram itens plásticos provenientes da Rússia, Estados Unidos, Europa, América do Sul, Japão e China, que chegaram à região através de uma corrente oceânica circular.

Microplásticos

Desde o primeiro momento que o lixo plástico chega ao mar, os raios do sol, o vento e a ação das ondas passam a fragmentar os resíduos em pequenas partículas, geralmente com menos de um quinto de polegada de diâmetro.

Conhecidos como microplásticos, esses resíduos estão espalhados por todos os oceanos e foram encontrados nos quatro cantos do globo, desde o Monte Everest, o pico mais alto, até a Fossa das Marianas, o vale mais profundo.

Além disso, os microplásticos estão se decompondo em pedaços cada vez menores e microfibras plásticas foram achadas em sistemas de distribuição de água potável de várias cidades, onde também flutuam pelo ar.

Imagem - Plástico nos oceanos. Foto: chaiyapruek youprasert / Shutterstock

Plástico nos oceanos. Foto: chaiyapruek youprasert / Shutterstock

Impacto ambiental do lixo plástico

Milhões de animais são mortos em função do impacto do lixo plástico no meio ambiente todos os anos. Quase 700 espécies, incluindo muitas ameaçadas de extinção, são conhecidas por serem diretamente afetadas pela poluição plástica. Já foram encontrados resíduos plásticos no sistema digestivo de praticamente todas as espécies de aves marinhas.

A maioria das mortes dos animais é causada por inanição. Focas, baleias, tartarugas e outros animais acabam estrangulados por equipamentos de pesca industrial abandonados ou em anéis plásticos descartados incorretamente.

Microplásticos foram encontrados em mais de 100 espécies aquáticas, incluindo peixes, camarões e mexilhões destinados ao consumo humano. Em muitos casos, esses pequenos pedaços são expelidos sem consequências pelo sistema digestivo. Mas se descobriu que eles podem obstruir o trato digestivo, perfurar órgãos e levar pessoas à morte.

Os resíduos plásticos também são consumidos pelos animais terrestres, incluindo elefantes, hienas, zebras, tigres, camelos, cabeças de gado, entre outros grandes mamíferos. Em alguns casos, eles causaram a morte desses animais.

Testes confirmaram danos ao fígado de algumas espécies e alterações nos sistemas reprodutivos de outras. Uma nova pesquisa mostrou que os alevinos comem nanofibras plásticas já nos seus primeiros dias de vida, levantando novas questões sobre os impactos do lixo plástico nas populações de peixes.

Como reduzir a maré de plástico?

Uma vez no oceano fica muito difícil coletar e reciclar os resíduos plásticos. Alguns sistemas mecânicos inovadores, como o Mr. Trash Wheel, um interceptador de lixo instalado no porto norte-americano de Baltimore, até se mostraram eficazes na coleta de copos, garrafas e embalagens de comida.

Mas uma vez decomposto em microplástico, o lixo se espalha pela coluna d'água dos oceanos e acaba praticamente impossível de ser coletado e reciclado. A solução, então, é evitar que os resíduos cheguem aos rios e aos mares.

Essa é a posição da grande maioria dos cientistas e especialistas da área, incluindo a National Geographic Society, e é um trabalho que depende de sistemas modernos e sofisticados de gerenciamento de resíduos e processos de reciclagem, da idealização e fabricação de produtos que levem em consideração o curto tempo de vida das embalagens descartáveis ​​e, finalmente, da restrição da fabricação de todos os tipos de plástico de uso único desnecessários.

Reportagem publicada originalmente na National Geographic
Junho 2021

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