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No dia do reciclador, protagonismo feminino é destaque nas cooperativas

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Cerca de 70% dos 800 mil trabalhadores são mulheres. Foto: Thiago Mucci

O protagonismo feminino é destaque em algumas áreas da sociedade. No setor da sustentabilidade, a realidade não é diferente: quem manda são elas. No dia do profissional da reciclagem, comemorado em 22 de novembro, dados mostram que mais de 70% dos 800 mil trabalhadores são mulheres, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA).

Em São Paulo, mais da metade dos presidentes das cooperativas cadastradas pela Prefeitura são mulheres. Entre elas está Marlene Maria Ramos, 62 anos, responsável pela Associação Vinte e Oito, espaço que funciona na região de São Matheus, na zona leste da capital.

Mais de 80% dos trabalhadores da cooperativa de Marlene são mulheres. De acordo com a presidente, as trabalhadoras são responsáveis e comprometidas. Não faltam no trabalho e são e mais criteriosas ao separar os recicláveis para a venda.

Ela acredita que o protagonismo feminino na reciclagem é fruto do desejo das mulheres de terem uma renda e ajudar financeiramente em casa. “Quase toda semana recebo novas trabalhadoras querendo fazer parte da equipe para ter o próprio dinheiro. A maioria são mães solteiras que criam os filhos sozinhas”.

É o caso de Jéssica Regina Algarve Arantes, 28 anos, que está na cooperativa desde a sua fundação, há quatro anos. É do ofício de separar os recicláveis que a trabalhadora consegue tirar sua renda mensal, cerca de um salário mínimo, para manter a casa e os dois filhos de 11 e 15 anos.

“Antes eu era dona de casa e não tinha renda. Hoje, com o trabalho, estou realizando meu sonho de construir minha casa própria”, contou.

Ela ainda fala que pretende comprar os móveis e ajudar ainda mais os filhos financeiramente.

Vizinha de bairro de Marlene e Jéssica, em São Miguel Paulista, a cooperativa Rainha da Reciclagem, tem na linha de frente Elinéia Gomes de Jesus, de 45 anos. De criança abandonada no sertão da Bahia, foi garota de programa e virou a maior traficante de drogas da cidade de Campinas. Hoje é uma pastora evangélica, responsável por uma cooperativa de reciclagem, cujo maior objetivo é custear o atendimento de 102 dependentes químicos.

“Fui uma ex-viciada que se recuperou e me sinto muito feliz quando vejo mulheres trabalhando na reciclagem, se recuperando e tendo uma vida digna”.

Texto produzido em 21/11/2019


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