15 de Maio de 2026,10h00
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A educação ambiental ganhou espaço definitivo na rotina do tradicional Colégio Marista Arquidiocesano, na capital paulista.
Aproveitando as mobilizações do Dia Mundial da Reciclagem, celebrado neste domingo (17) e instituído pela UNESCO, a instituição comemora o primeiro ano do projeto SustentArqui, iniciativa voltada à transformação de hábitos de consumo e gerenciamento adequado dos resíduos pela comunidade escolar.
Com foco em sustentabilidade e conscientização coletiva, o projeto pretende reduzir em até 90% o volume de resíduos enviados aos aterros sanitários.
A meta representa o desvio de mais de 150 toneladas de lixo por ano e fortalece práticas alinhadas à economia circular e à educação climática.
No primeiro ano de atuação, o SustentArqui implantou um sistema de separação em três frações (recicláveis, orgânicos e rejeitos), além de incorporar ações pedagógicas e mudanças operacionais em eventos e atividades cotidianas.
O resultado já aparece na prática. O colégio reduziu de quatro para três caçambas diárias o volume encaminhado aos aterros sanitários. O objetivo da instituição é chegar a apenas uma caçamba por dia nos próximos anos.
As transformações também renderam reconhecimento nacional. O projeto recebeu o prêmio Lixo Zero de Boas Práticas, na categoria Educação, além do selo Reconecta, entregue durante a COP 30, em Belém (PA).
A nova etapa da iniciativa terá foco na mensuração de impacto ambiental. O colégio adotará processos de gravimetria para calcular com precisão o percentual de resíduos destinados à reciclagem, compostagem e aterro sanitário, e a instituição passará a monitorar indicadores relacionados às emissões de gases de efeito estufa (GEE), ao consumo de água e aos custos operacionais.
Segundo o professor Douglas Rene, idealizador do SustentArqui e fundador da startup Klíma, a principal mudança promovida pelo projeto vai além da separação correta dos resíduos.
“A sustentabilidade verdadeira exige mudança de padrão e isso leva tempo. Não basta falar sobre reciclagem. É preciso transformar a cultura e criar exemplos concretos dentro da escola”, afirma.
O educador explica que o primeiro ano marcou a consolidação institucional da proposta. “Hoje, o SustentArqui faz parte da cultura do Arquidiocesano e está presente desde a integração de novos colaboradores até os grandes eventos”, completa.
O protagonismo estudantil é um dos pilares da iniciativa. Helena Stela Pereira Assis, aluna do Ensino Fundamental II, conta que o projeto modificou sua relação com o consumo e o descarte.
“Participar do projeto me fez perceber atitudes simples, como jogar o lixo no lugar certo, evitar desperdício e reduzir o uso de plásticos. Dentro da escola, expliquei para amigos a importância do projeto. Me ajudou a criar uma mudança real”, relata Helena.
Nos Anos Iniciais, os alunos também passaram a atuar diretamente em ações de conscientização. Lorenzo, João e Arthur participam do grupo “DPA – Detetives do Pátio do Arqui” e ajudam colegas e funcionários a separar corretamente os resíduos.
“O trabalho que eu mais gostei foi apresentar o projeto para os professores. Aprendi que não podemos jogar lixo no chão e explicamos onde cada resíduo deve ser descartado”, conta Lorenzo.
Entre as ações previstas para 2026 estão novas edições do Maio da Compostagem, oficinas voltadas às famílias, ampliação das práticas em sala de aula e a realização da “Blitz Lixo Zero”.
Para Douglas Rene, o avanço da sustentabilidade nas escolas depende da construção de processos genuínos e permanentes.
“A ideia não é criar mais trabalho, mas ressignificar processos. Uma cultura de sustentabilidade só funciona quando ela é verdadeira. Quando isso se internaliza, os alunos começam a observar o mundo de outra forma e levam esse olhar para fora da escola também”, conclui o professor.
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