07 de Maio de 2026,10h00
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A costa leste do Brasil concentra a maior quantidade de microplásticos do país, com média de 17 partículas por litro de água. O índice supera, sozinho, a soma registrada nas outras regiões costeiras brasileiras e acende um sinal sobre a poluição nos oceanos.
Os dados fazem parte de um estudo publicado na revista Marine Pollution Bulletin, dentro do projeto MicroMar, coordenado pelo Instituto Federal Goiano com apoio do CNPq. A pesquisa analisou mais de quatro mil amostras de água coletadas em mais de mil praias ao longo de 7.500 quilômetros do litoral brasileiro.
O levantamento identificou a região entre a Bahia e o Espírito Santo como o principal ponto de concentração. Em seguida aparecem o Nordeste, o Sudeste e o Sul, com índices menores. A Amazônia equatorial registrou os níveis mais baixos.
Segundo os pesquisadores, fatores como turismo intenso, descarte irregular de resíduos, lançamento de esgoto e proximidade de rodovias ajudam a explicar a alta concentração na costa leste. O resultado surpreende, já que a expectativa inicial apontava o Sudeste como a região mais impactada.
Os microplásticos são fragmentos minúsculos gerados a partir da degradação de plásticos maiores ou liberados diretamente no ambiente. Esses materiais entram na cadeia alimentar ao serem ingeridos por organismos marinhos desde as fases iniciais da vida.
O impacto vai além do oceano. Essas partículas podem carregar substâncias tóxicas e microrganismos, o que representa riscos indiretos à saúde humana. Além disso, afetam atividades econômicas como pesca e turismo.
Grande parte desse problema começa nas cidades. Plásticos descartados de forma incorreta podem chegar a rios e, depois, ao mar. Embalagens, sacolas e resíduos de uso cotidiano se fragmentam ao longo do tempo e se transformam em microplásticos.
A orientação para a população é clara. Reduzir o consumo de plástico, evitar descartáveis e separar corretamente os resíduos são atitudes que ajudam a conter esse avanço. O descarte adequado impede que o material chegue ao ambiente e contribui para o trabalho das cooperativas.
O estudo reforça um ponto central. A poluição por microplásticos não é um problema distante. Ela começa no consumo diário e na forma como cada pessoa descarta seus resíduos.
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