04 de Novembro de 2026,10h00
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O projeto de lei que estabelece um piso salarial nacional de R$ 3.036 para os garis brasileiros aguarda votação no Senado Federal, após aprovação na Câmara dos Deputados, e pode representar um aumento expressivo na remuneração de milhares de trabalhadores responsáveis pela limpeza das cidades.
Para se ter uma ideia, dados do Novo Caged, compilados pelo Portal Salário em outubro de 2026, indicam que um gari recebe, em média, R$ 1.723 mensais no Brasil, valor que representa pouco mais da metade do piso proposto.
Na cidade de São Paulo, onde os salários são superiores à média nacional, a convenção coletiva de 2026/2027 estabelece remuneração básica de R$ 1.958,82 para varredores e R$ 2.329,81 para coletores de resíduos.
Com os adicionais de insalubridade, os valores chegam a R$ 2.283,02 e R$ 2.978,21, respectivamente, sem considerar os benefícios de alimentação previstos na negociação coletiva.
Além do reajuste salarial, o Projeto de Lei 4.146/2020 prevê jornada máxima de seis horas diárias e 36 horas semanais, adicional de insalubridade de 40%, aposentadoria especial e benefícios como vale-alimentação, cesta básica e plano de saúde.
A proposta coloca em evidência as condições de trabalho de profissionais que enfrentam diariamente o trânsito, o esforço físico intenso, a exposição ao sol e à chuva e o contato com resíduos potencialmente perigosos.
Vidros quebrados, objetos cortantes e materiais contaminados descartados incorretamente representam riscos de acidentes e reforçam a necessidade de investimentos em segurança e melhores condições de trabalho.
Ao mesmo tempo, esses profissionais desempenham uma função indispensável para a saúde pública, a prevenção de enchentes e a preservação ambiental, especialmente nos grandes centros urbanos.
Apesar da importância da categoria, a proposta enfrenta questionamentos sobre os custos de implementação, estimados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) em aproximadamente R$ 5,9 bilhões anuais.
Para ajudar no financiamento, o texto aprovado pela Câmara autoriza a utilização de recursos federais do Fundo Social, desde que preservadas as verbas destinadas à educação.
Até o início de novembro de 2026, o projeto permanecia no Senado, com requerimento de urgência à espera de inclusão na ordem do dia e sem previsão oficial para votação.
A discussão reforça a importância de reconhecer o trabalho de quem recolhe diariamente os resíduos produzidos pela população, uma responsabilidade que também passa pelo descarte correto dos materiais e pelo respeito à saúde e à dignidade desses profissionais.
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