22 de Abril de 2026,10h00
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A destinação do lixo no Brasil ainda revela um cenário desigual, com milhões de domicílios sem acesso a serviços adequados de coleta e descarte.
Dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que cerca de 4,8 milhões de residências ainda recorrem à queima do lixo na própria propriedade, prática concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde estão 3,6 milhões desses casos.
Apesar desse quadro, a coleta direta por serviços de limpeza urbana avançou e se consolidou como o principal destino dos resíduos no país.
Em 2025, o serviço atende 86,9% dos domicílios particulares permanentes, com presença em todas as regiões. Os índices variam entre 79,3% no Nordeste e 91,1% no Sudeste, o que evidencia avanços importantes, mas também reforça a desigualdade estrutural no acesso à gestão adequada de resíduos sólidos.
A queima do lixo, além de representar riscos à saúde pública, provoca impactos ambientais significativos. A prática libera poluentes atmosféricos e contribui para o agravamento das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que impede o reaproveitamento de materiais recicláveis que poderiam retornar à cadeia produtiva.
Em muitos casos, resíduos com potencial de reciclagem acabam perdidos, o que reduz oportunidades de geração de renda e trabalho.
Esse cenário dialoga diretamente com a realidade dos catadores e das cooperativas, responsáveis por grande parte da reciclagem no Brasil.
Quando os resíduos deixam de ser corretamente separados e destinados à coleta seletiva, toda a cadeia perde valor. Isso significa menos material disponível para triagem, menor renda para trabalhadores e mais pressão sobre aterros sanitários e lixões.
A ampliação da coleta regular é um passo importante, mas não resolve o problema por completo. Especialistas apontam que a universalização do serviço precisa caminhar junto com investimentos em educação ambiental e infraestrutura para coleta seletiva.
Sem orientação clara, muitos materiais recicláveis continuam sendo descartados de forma inadequada, mesmo em áreas atendidas.
A separação correta dos resíduos dentro de casa surge como um fator decisivo nesse processo. Ao dividir o lixo entre recicláveis, orgânicos e rejeitos, a população contribui para reduzir práticas como a queima e fortalece o trabalho das cooperativas.
Embalagens limpas e secas aumentam as chances de reciclagem e ajudam a manter a dignidade dos profissionais envolvidos na cadeia.
O avanço da gestão de resíduos no Brasil passa por uma combinação de políticas públicas, conscientização e valorização social.
Reduzir a queima do lixo e ampliar o acesso à coleta adequada não representa apenas um ganho ambiental, mas também uma oportunidade de promover inclusão produtiva e զարգvimento sustentável em diferentes regiões do país.
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