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Sem inclusão social não existe Lixo Zero

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Engrenagem da reciclagem depende de trabalhadores historicamente marginalizados e invisibilizados. Foto: @role_sp

No Dia Internacional Lixo Zero, celebrado em 30 de março, um dado resume o desafio brasileiro. Mais de 90% de todo o material reciclado no país passa pelas mãos de catadores e cooperativas. A base da economia circular nacional tem nome, rosto e enfrenta obstáculos diários para manter o sistema funcionando.

Mesmo com protagonismo evidente, esses profissionais ainda atuam, em grande parte, sem infraestrutura adequada, remuneração justa ou reconhecimento formal. O resultado aparece nos índices. Apenas uma pequena fração dos resíduos sólidos urbanos segue para reciclagem estruturada, enquanto toneladas de materiais com valor econômico acabam em aterros ou lixões.

O cenário revela uma contradição. Enquanto o conceito de Lixo Zero ganha força em campanhas, eventos e políticas públicas, a engrenagem real depende de trabalhadores historicamente marginalizados e invisibilizados. Sem investimento em coleta seletiva, equipamentos e integração das cooperativas aos sistemas municipais, o avanço da reciclagem permanece limitado.

E a questão vai além do meio ambiente. Trata-se também de geração de emprego e renda. Estudos apontam potencial para criação de centenas de milhares de vagas no setor nas próximas décadas, caso o país amplie a estrutura da cadeia de reciclagem e fortaleça a atuação dos catadores.

No dia a dia, a população tem papel direto nesse processo. Separar corretamente os resíduos, evitar contaminação com restos de alimentos e descartar materiais recicláveis limpos e secos são atitudes simples, mas decisivas. Quando o lixo chega misturado ou sujo, parte significativa perde valor ou se torna inviável para reaproveitamento.

Outro ponto crítico envolve a forma de descarte. Objetos pequenos soltos, vidros sem proteção e materiais perfurocortantes colocam em risco a saúde dos profissionais e dificultam a triagem. Boas práticas aumentam a eficiência do sistema e contribuem para melhores condições de trabalho.

Avançar rumo ao Lixo Zero no Brasil exige mais do que mudança de comportamento individual. Depende de políticas públicas estruturantes, incentivo à logística reversa e valorização da base da cadeia. Incluir catadores em contratos, ampliar infraestrutura e reconhecer o serviço ambiental prestado são passos fundamentais.

Mais do que reduzir resíduos, o lixo zero propõe repensar relações sociais e econômicas. Nesse caminho, fortalecer quem sustenta a reciclagem no país não é apenas uma questão ambiental, mas um compromisso com justiça social e desenvolvimento sustentável.


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