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Críticos da indústria da moda, jovens passam a fazer roupas em casa

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A indústria têxtil é o terceiro setor mais poluente do mundo. Foto: Kehinde Olufemi Akinbo / Shutterstock.com

Um movimento de jovens insatisfeitos e incomodados com o impacto ambiental da indústria têxtil vem ganhando força nos últimos anos nos quatro cantos do mundo.

Essa galera, que já compreendeu o tamanho do estrago e o desperdício gerado pelos processos de fabricação do setor, encontrou um caminho para deixar de ser refém do “fast fashion”.

Com o apoio de uma comunidade de costureiras, boa parte delas ex-profissionais da área, o pessoal começou a produzir as mais variadas peças em casa mesmo.

Cansada de consumir roupas de péssima qualidade, com tempo de vida útil curtíssimo, Lea Baecker, 29 anos, mora em Londres e é uma das entusiastas do que vem sendo chamado de Revolução do Guarda-Roupas.  

A jovem conta que atualmente 80% de tudo o que existe no seu armário foi produzido por ela.

"Minha principal motivação era não ter mais que comprar roupas prontas. Não quero ser conivente com o fast fashion", disse a doutoranda em neurociência à agência de notícias AFP.

Modelista durante 15 anos, Tara Viggo conhece de perto a realidade da indústria da moda e define os modelos de produção e o impacto ambiental e social do fast fashion como aterrorizantes.

Em 2017, Viggo decidiu criar suas próprias roupas e foi além, fez uma marca ambientalmente responsável, que cresceu bastante desde sua fundação.

Ela admite que competir com a grande indústria da moda ainda é difícil, mas segue otimista com o futuro.

“Quanto mais pessoas entrarem nessa onda, melhor. Muitas vezes o pessoal só precisa de um gatilho. E tem outra, uma vez que você costura suas próprias roupas, você não consegue mais imaginar como é que se paga tão caro por peças tão ruins”, afirma Tara.

#HandMadeWardrobe

Em tradução direta, hand made wardrobe seria algo como: faça você mesmo o seu guarda-roupas. E foi essa hashtag que impulsionou o movimento e uniu o pessoal no Instagram.

Com as ferramentas da plataforma, houve uma articulação natural entre os entusiastas da causa e as postagens com o termo já atingiram quase um milhão de marcações.

“Descobri que existem hashtags específicas onde você pode ver pessoas diferentes produzindo e usando os mesmos modelos”, explicou Baecker, que agora é uma influencer do movimento.

Revolução do Guarda-Roupas

A indústria têxtil é o terceiro setor mais poluente do mundo, respondendo por até 5% das emissões de gases de efeito estufa, de acordo com um relatório de 2021 do Fórum Econômico Mundial.

No ano passado, algumas das maiores ONGs ambientais da Europa uniram forças para exigir o fim do que ficou conhecido como fast fashion na indústria têxtil, uma das mais poluentes do mundo.

O grupo revelou que além de rejeitar uma série de acordos propostos pelas companhias e governos, ainda pediu aos representantes da União Europeia a responsabilização das grandes marcas por sua contribuição para a poluição global.

As ações demandam uma legislação que impeça a superprodução descontrolada de produtos têxteis e reduza o impacto ambiental.

As medidas propostas incluem padrões mínimos de quanto tempo as roupas devem durar, a proibição da destruição de mercadorias não vendidas e devolvidas, além de metas ambiciosas para uma redução expressiva na quantidade de recursos naturais utilizados em toda a cadeia produtiva.

O grupo também exige regras urgentes para os produtos químicos utilizados na indústria da moda e medidas para combater seus danos ambientais e sociais, incluindo iniciativas de fiscalização sobre violações dos direitos trabalhistas, recorrentes no segmento.

O movimento é uma reação às pesquisas que indicam que a produção de produtos têxteis e seus impactos ambientais e sociais não param de crescer, apesar de muitas iniciativas de sustentabilidade estarem em andamento.

Veja abaixo as principais demandas das ONGs

- Tornar os produtos têxteis sustentáveis através de padrões mínimos de design, melhores processos de produção, rastreabilidade, transparência e divulgação de informações, proibindo a destruição de produtos não vendidos e devolvidos.

- Impulsionar o consumo de têxteis sustentáveis, regulados em processos confiáveis de certificação, devidamente rotulados, com informações mais completas sobre a sua vida útil e as possibilidades de reparo e reciclagem.

- Abandonar o modelo linear de negócio, taxando o uso de recursos naturais e tornando os produtores responsáveis pelos produtos que colocam no mercado.

- Responsabilizar a indústria têxtil da UE pelo seu papel no mundo através de leis rígidas referentes à sustentabilidade ambiental e aos direitos humanos.

Texto produzido em 24/02/2022


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