Empresa de São Paulo recicla uniformes e gera renda para cooperativas

11/11/2020

Imagem - Quem envia os materiais para costura são empresas que, geralmente, acumularam muitas roupas por algumas razões, entre elas, troca de uniformes de funcionários. Foto: Marcos Santos / USP

Quem envia os materiais para costura são empresas que, geralmente, acumularam muitas roupas por algumas razões, entre elas, troca de uniformes de funcionários. Foto: Marcos Santos / USP

Em um dos bairros mais tradicionais de São Paulo, a Lapa, na zona Oeste, funciona a empresa Retalhar. Fundada pelos quatro jovens, Juliana Vilas Boas, Jonas Lessa, Lucas Corvacho e Leonardo Carvalho, eles transformam restos de tecido em novos produtos e novos negócios. A empresa recebe uniformes usados de outras companhias e os envia para cooperativas de costureiras transformarem esses materiais em novas peças.

A Cardume de Mães, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, é uma das cooperativas que transforma esses tecidos em nécessaires, bolsas e outros acessórios. “Eu sou muito criativa, gosto de dar ideias sobre o que fazer com os uniformes. A minha renda vem desse trabalho e, com ele, ajudo nas contas de casa e me auxiliou na educação e criação de minha filha”, diz a costureira Herculânia Reis.

Para Jonas Lessa, um dos fundadores da Retalhar, a importância de grupos como o Cardume de Mães é algo gratificante. “Estas mulheres são nossa inspiração por sua honestidade, humildade, criatividade, perseverança e esmero no trabalho. Foi em contato com grupos produtivos de costura que nos demos conta da quantidade de pontes que poderiam ser construídas com o grande mercado formal, especialmente em projetos que envolvem a solução de problemas ambientais da indústria têxtil. Sei que nesse sentido ajudamos, mas com a preocupação constante de não gerar uma relação de dependência”, enfatiza.

Quem envia os materiais para costura são empresas que, geralmente, acumularam muitas roupas por algumas razões, entre elas, troca de uniformes de funcionários. Então, elas procuram a Retalhar para enviar as vestes antigas.  “As empresas pagam por esse serviço de transformação. Depois que os produtos ficam prontos, elas os recebem de volta. Dessa maneira, elas se adequam a uma logística reversa, reaproveitando as peças”, conta um dos fundadores da Retalhar, Jonas Lessa.

Os clientes ainda têm a oportunidade de comunicar tais práticas como parte de suas ações de sustentabilidade. Além disso, ajudam aqueles que de tempos em tempos trocam constantemente de uniformes, como é o caso de clubes de futebol. Em agosto deste ano, por exemplo, o Palmeiras procurou a Retalhar para conseguir reciclar mais de uma tonelada de peças antigas. Após o recebimento das roupas, o material foi enviado a uma cooperativa de costureiras para remoção de zíperes, botões e elásticos. Depois, o tecido seguiu para uma recicladora de resíduos têxteis e passou pelas etapas de trituração, desfibramento, agulhagem e corte, até ser transformado em cobertor.

O resultado dessa iniciativa resultou na transformação de dois mil cobertores que foram entregues para 11 instituições que cuidam de pessoas em situação de rua da cidade de São Paulo e que tiveram seus trabalhos interrompidos pela pandemia do Coronavírus.

Texto produzido em 16/09/2020

 

 

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