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Dez marcas estão sendo processadas pelo descarte de embalagens plásticas

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Cerca de 43% das embalagens recolhidas ainda tinham visível a marca de seus fabricantes. Foto: Freepik

A organização não-governamental (ONG) Break Free From Plastic, mostrou, no final de 2019, o resultado de um levantamento feito durante o World Clean Up Day (evento que reuniu vários voluntários em diversos países para uma limpeza mundial). Os dados apontaram que foram recolhidos 476 mil resíduos plásticos por 70 mil pessoas em 51 países.

Cerca de 43% das embalagens recolhidas ainda tinham visível a marca de seus fabricantes. Dessa forma, foi possível mapear quais são as empresas globais mais poluidoras quando se trata de resíduos plásticos.

O documento indicou que dez empresas estão no topo desse ranking de ambientalmente incorretas e estão sendo processadas na Califórnia, nos Estados Unidos. A Coca-Cola apareceu logo no primeiro lugar, seguida pela Nestlé, PespsiCo, Mondelez International, Unilever, Mars, P&G, Colgate-Palmolive, Philip Morris e Perfetti Van Mille.

Só da Coca-Cola, que lidera o ranking, foram identificados cerca de 11.732 resíduos em 37 países (quatro continentes). O tipo de material plástico mais identificado pela pesquisa foi o poliestireno (componente do isopor) e o PET (usado para fabricação de garrafas). Os dois são derivados do petróleo e levam cerca de 400 anos para se degradar.

“Fundamentalmente, o processo procura responsabilizar as empresas por sua parcela de poluição plástica e por suas alegações de que as embalagens de plástico são recicláveis”, diz Sumona Majumdar, consultora geral da Earth Island. De acordo com o profissional, por muito tempo, as empresas empurraram esses custos para o público, e isso inclui organizações sem fins lucrativos, como a Earth Island, que está usando fundos de caridade para organizar esse descarte incorreto.

De acordo com o relatório da ONG, as fabricantes de embalagens plásticas colocaram no mercado consumidor todos os tipos possíveis do material de uso único, como sacolas, talheres, copos e outros itens.

“Grande parte desses resíduos não biodegradáveis acaba em nossos oceanos, rios e áreas costeiras, além do que ocupará ainda mais espaço em nossos aterros sanitários pelas gerações vindouras”, afirma.

A ONG ressalta que muitos consumidores acreditam que as embalagens poderão ser recicladas, mas estudos mostram que na grande maioria elas não são. “Este é o primeiro processo contra esses traficantes de plástico que há anos espalham a narrativa falsa de que seus produtos podem ser reciclados quando sabem que em muitos casos isso simplesmente não é verdade”, acusa Josh Floum, presidente do Conselho de Administração da Earth Island.

Outro lado

William M. Dermody Jr, representante das marcas Coca-Cola, Pepsi e outras fabricantes disse que o desperdício de plástico é um problema mundial e exige soluções ponderadas. "As empresas de bebidas já estão tomando providências para o uso do plástico e investindo na reciclagem". A Nestlé se pronunciou dizendo que está analisando as alegações do processo.

Fontes: Conexão Planeta e The Guardian

Texto produzido em 10/07/2020


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