03 de Novembro de 2020,12h00
Veja outros artigos relacionados a seguir
A preocupação das lotações das praias durante o feriado prolongado de 7 de setembro não se restringe apenas a proliferação do Coronavírus. De acordo com o Instituto Argonauta, as consequências do grande número de pessoas que estiveram nas praias do Litoral Norte paulista (Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela) não pararam de aparecer. Por exemplo, o descarte incorreto de máscaras custou a vida de um pinguim da espécie Pinguim-de-Magalhães, que possuía no interior de seu estômago uma proteção facial de tecido.
A ave foi encontrada dois dias depois do feriado (em meio à pandemia), no dia 9 de setembro. A equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMB-BS) do Instituto Argonauta para Conservação Costeira e Marinha foi chamada para recolher o animal morto na Praia de Juquehy, em São Sebastião. Segundo o grupo técnico, ele estava muito magro e com muita areia pelo corpo.
Todas as espécies mortas que são recolhidas pela instituição são encaminhadas para necropsia com a finalidade de identificar a causa da morte. Os resíduos, em geral, é a causa mais frequente apontada nos exames.
O presidente do Instituto Argonauta, o oceanógrafo Hugo Gallo Neto, orienta sobre o descarte desses resíduos comuns da pandemia: máscara e luvas.
"Nós sentimos que a falta de educação da população que frequenta o litoral norte em relação à questão de resíduos precisa ser trabalhada de forma eficiente em todos os níveis, desde criança nas escolas, ainda com a criação de legislação mais rígida para evitar que as pessoas joguem lixo em qualquer lugar. Também são necessárias políticas de fiscalização que coíbam com multa, e ainda a colocação de lixeiras. O impacto não é somente na fauna, mas também na saúde e na economia, porque tem que limpar a sujeira que as pessoas deixam. Está se tornando um problema crônico e de grande impacto”, disse o oceanógrafo.
O profissional trabalha há 23 anos com a reabilitação dos animais que aparecem nas praias e apresentam problemas. Ele afirma que esses "novos lixos" oriundos da pandemia (máscaras e luvas) são uma ameaça. Embora o isolamento social tenha reduzido o volume de resíduos quando diminuiu o fluxo de pessoas na praia, agora o local se torna um pouco mais perigoso devido a esses materiais estarem possivelmente contaminados.
Além de resgatar os animais, o instituto monitora e quantifica os lixos encontrados nos mares e areias. Desde o dia 16 de abril até o dia 13 de setembro, a entidade confirma que foram encontradas mais de 113 máscaras pelo Litoral Norte. Só no dia 8 de setembro, um dia depois do feriado, foram recolhidas mais de 10 proteções faciais.
Fonte: Instituto Argonauta
Texto produzido em 24/09/2020
Embarcação retorna de missão estratégica para frear pesca industrial no Oceano Austral
Pesquisa com cooperativas da capital expõe problema crônico na gestão do lixo plástico
Dispositivos são resíduos da saúde e não podem ser descartados no lixo comum ou reciclável
Proposta aprovada na Câmara estabelece punições para pessoas e empresas